Se sinta realizado hoje: o sucesso agora
Um guia com 10 passos para uma vida plena que começa hoje.
HA! Enganei você com esse clickbait de 10 passos? Bem feito, acreditando em tudo o que lê nos subtítulos. Não fique bravo comigo, leia o meu texto primeiro. A única coisa que prometo que você não aprenderá são 10 passos falsos, impossíveis de se cumprir. Relaxe, e aproveite a leitura.
Na sétima série meu professor de Sociologia na época, Luciano Ramalho, fez duas perguntas intrigantes pra nossa turma:
- Quem de vocês já sabe o que querem fazer?
- Quando vocês pensam que estarão num ponto da vida onde podem se dizer realizados?
Eu, particularmente ambicioso, fui o único da sala a levantar a mão para a primeira pergunta bem rapidamente. Ciência da Computação, disse eu sem nem ao menos saber bem que impacto teria aquela afirmação para o meu futuro. E se na sétima série parecia ser uma decisão um tanto quanto apressada, hoje tenho certeza. Faço um curso da mesma área, mas com outro foco, outro rumo, depois de uma experiência conturbada com meu sonho da sétima série.
Decisões a longo prazo emanam imaturidade em sua essência. Não controlamos o tempo e as tempestades. Pensamos que nossos cálculos e planos são infalíveis e seguiremos firmes até a linha de chegada. Por favor, não ouse comparar a vida a uma montanha-russa. A vida é mais incerta que uma montanha-russa. Uma montanha-russa é planejada por engenheiros, testada uma boa pá de vezes por profissionais especializados nisso antes de ela ser ligada, e tem um percurso predefinido. Da vida, ninguém sai vivo, os únicos que entendem dela já morreram ou são mal pagos, não existem testes e o percurso é caótico.

A segunda pergunta eu demorei um tanto mais pra responder. Essa era realmente complicada. Vamos analisar a ambiguidade da questão: nos dizermos realizados pode tanto significar completos quanto satisfeitos. Rapidamente eliminei a primeira possibilidade. Fundamentalmente nós seres humanos buscamos a completude, mas nunca efetivamente a alcançamos. É um ideal inalcançável, menos sobre o destino e mais sobre o caminho. Então me ative mais à segunda opção.
Quando eu estaria realmente satisfeito, comigo, com o que tenho, com o que faço e com quem convivo? A resposta podia ser nunca. Ou hoje. Dependia só de mim.
Mas eu respondi 30 anos. Afinal todo jovem sonha em ter uma carreira profissional bem sucedida, seus amigos felizes, sua família reunida e poder desfrutar de bons momentos de lazer, com um corpo saudável, minha espiritualidade em dia. Isso leva tempo pra conseguir, falei pra mim mesmo. Vou custar a chegar nesse lugar, no topo dessa montanha chamada vida pra hastear a minha bandeira chamada felicidade. Pura e velha besteira.
Percebi nos últimos tempos o quão mais significativo pra nós é viver a jornada. Viver cada minuto da sua vida por cada minuto da sua vida. Aproveitar o dia. O meu Carpe diem. A cada novo passo, uma pequena porção do todo que se quer alcançar. Para a vida terrena só há um destino: o fim.
Não desperdice seu tempo pensando que pode trocar quem quer realmente ser hoje por um alguém que você magicamente vai se tornar no futuro num estalar de dedos. Esse alguém que quer construir do nada em uma data futura não é você, ele é uma ilusão pra sustentar sua procrastinação, sua falta de amor próprio, carinho pela família, cuidado por sua espiritualidade e aquilo que nós humanos chamamos de legado. Pensamos que essa realização de vida também somente chegará perto da morte. Pergunta, quando é mesmo que você vai morrer?
Hoje pela manhã, tomando meu café, lendo um bom texto no Medium, me lembrei de ter acordado cedo, arrumado meu quarto onde ficam meu violão, violino e guitarra, meus livros, HQ’s e mangás. Você pode desenhar um belo quarto em sua mente. Arrumei a mesa onde ficam meus caderno de Estudos pra faculdade, o caderno de Composições, e o caderno de Decisões e Projetos. Bem perto da Bíblia, do estudo da célula dessa semana e meu notebook que em sua tela principal carrega meus principais objetivos pro ano. Alguns adornos também: o copo do Kylo Ren que consegui vendo o episódio VII pela segunda vez com minha família (HA, Mayara!), pulseiras que ganhei de pessoas muito queridas, minha bola de baseball trazida por um grande amigo como suvenir.
Tomei um bom banho, e ainda um pouco sonolento parti para a sessão matinal de orações. Precisava, preciso e sei que precisarei até mesmo agora enquanto escrevo da direção do Eterno para cumprir cada tarefa do dia.
Logo após, repassei as tarefas do dia, tudo em ordem, caminhando. Naquele momento em que eu sentara para comer, eu havia acabado de ir à feira comprar frutas para compor a mesa do café, que apesar de não ser um maravilhoso desjejum de hotel, me bastava.
Percebi então o quanto sou rico. O quanto eu estou feliz com todas essas experiências. Não com o que tenho. Não com quem sou. Com as experiências. Cada objeto descrito aqui, cada momento do meu dia, cada uma das cenas que tentei delicadamente projetar na sua mente são uma experiência única pra mim, hoje que consegui vê-las, uma a uma, cada qual em seu lugar dentro de mim.
Arrepiei completamente quando lembrei daquela velha pergunta. Eu não preciso mais esperar até os meus 30. Eu posso me sentir realizado, completamente satisfeito com o que tenho vivido todos os dias. Cada dia. Cada minuto. Ainda há muito para conquistar, ainda há muito pra mudar em mim. Mas se eu conseguir a cada dia viver cada momento lucidamente, estando consciente do meu redor e todos aqueles que realmente importam para mim, eu estou realizado.
Posso finalmente segurar o celular na minha mão esquerda, lendo um bom texto, e segurando com minha mão esquerda tomar uma xícara de achocolatado gelado e dizer: eu finalmente estou me realizando, a cada minuto. O que você está esperando? Levante os braços e aproveite essa imensa montanha-russa que é a vida. Droga, eu prometi não comparar.
Obrigado por ler!
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Gabriel Maia é escritor, compositor e músico cristão. Nascido em Belo Horizonte, criado em Conselheiro Lafaiete e mora em Juiz de Fora, onde faz Sistemas de Informação pela UFJF.