Quero falar de Crivella

Quero falar de Crivella.

Quero falar de Crivella porque eu mesmo, deparado com a alternativa Crivella x Pezão no segundo turno de 2014, votei nele. Sei que perco toda a credibilidade assumindo isso, mas fui momentaneamente iludido. É que tendo retirado o nome de Bispo e assumindo um discurso que ocultava as suas ligações com a IURD, me deixei enganar achando que ele teria aprendido a separar as coisas.

Passados 2 anos, já estou mais consciente. Desde o nome da coligação, “Por um Rio mais Humano”, tudo nele denota a transversalidade da visão religiosa de mundo transposta em sua política.

Gostaria de lembrar dois momentos recentes.

O primeiro foi no final do debate na RedeTV! Devidamente instruído a ocultar as suas ligações religiosas, Crivella limitou-se a apontar problemas da administração municipal e dizer que “no meu governo eu vou fazer isso ou aquilo”. Até aí, nada de novo. Mas, no último bloco, na treta com Jandira, soltou “mais do que Bom, eu sou Justo”. O governante Justo. A primeira qualidade fundamental dos Reis medievais e modernos: a justeza. A segunda qualidade: a bondade. Para Crivella, o político deve ser Bom e, acima de tudo, Justo, tal qual os Reis cristãos do medievo.

O segundo momento ocorreu ontem no debate organizado pela Agência de Notícias das Favelas (ANF) no Museu do Samba, Mangueira. Crivella compareceu, e não estava sozinho. Uma caravana de fieis transformados em militantes se concentrava na porta da IURD ao lado do local do debate. A organização do evento foi perguntada, algumas vezes, por fieis, se era ali que ocorreria o culto. Uma maquina eleitoral imensa, que passa despercebida, com fiéis que são militantes e militantes que são fiéis desmascara na rua o que ele deixa bem quieto na tv: suas vinculações com a Igreja são profundas e fundamentais na sua candidatura, e certamente serão no seu governo.

Tem gente aí falando que Crivella é a única novidade dessa eleição. O governante Justo e a fusão Igreja e Estado. Tem uns bons mil anos essa tal novidade.

Que Deus tenha piedade de nós.

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