A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER

Sempre na convivência com o peso de responsabilidades, quando o que na verdade almejamos é a leveza da liberdade.

Que os conflitos internos existem, nós sabemos, mas como eles podem atrapalhar no dia-dia, gerando conflitos externos é preciso exemplificar. Um ótimo caso é o de Midian Miyashiro, ela com seus 27 anos, moradora de maringá, divorciada e com um filho de dez anos chamado Murilo e com uma filha de três anos, a Laura. A moça passou por um grande conflito há algum tempo, tudo por conta da preocupação que ela tinha em criar seus pequenos.
Ela foi vendedora numa loja bem conceituada de um shopping da cidade, a sua rotina no shopping era de sete horas e vinte minutos, todos os dias de segunda a sábado aos domingos era seis e vinte minutos. Sua vida no mundo das vendas não era tão nova quando entrou como vendedora, afinal ela já foi proprietária de uma loja de roupas infantis quando casada, porém isso não fez com que ela se sentisse tão confiante.
Numa conversa despretensiosa ela conta. "Quando me divorciei não foi só o trabalho que mudou, a volta para casa dos meus pais foi inevitável, e eles haviam chegado recentemente na cidade, em busca de uma oportunidade de trabalho e buscando uma vida nova na cidade, com meu irmão mais novo o Gabriel que tem nove anos. A partir da minha mudança para a casa deles seria três crianças na casa, e três adultos para se desdobrarem em trabalhar, mante-los e cuidá-los.
O estado dessa mãe que precisa trabalhar como se nada estivesse acontecendo, fica relacionado há uma ansiedade medonha, afinal ela precisa solucionar esse seu problema. E com todas as preocupações e ansiedade de ter logo uma solução ao problema, começa a afetar suas vendas, afetando consequentemente seu salario também enquanto isso o medo do seu filho e irmão ficarem em casa sozinhos e algo de ruim aconteça com eles permanece.
Mas tratando dos conflitos internos que tanto atrapalha a vida social podemos colocar a ansiedade como a maior causa, depois o medo, pois esses conflitos nada mais são uma luta entre a razão e a emoção, onde se quer uma coisa mas tem que fazer outra, ou não querer algo e ter que fazer. Esta força tem seu lado positivo e negativo, dependendo sempre da forma como é interpretada. Existe uma dualidade que nos confunde e origina um turbilhão de emoções e pensamentos de grande incomodo, dando espaço para ansiedade.
Emoções e razão, quando estão em conflito gera uma confusão de sentimentos, e neste estado frágil, a insegurança vem principalmente na hora de tomar decisões , podendo conduzir-nos a pensamentos negativos e sentimentos instáveis. Os conflitos internos faz parte da vida de todo ser humano maioria das vezes, os vínculos que traz esses conflitos internos são procedentes de desejos, de ambições, de sonhos e objetivos. A formação de um tipo ideal acerca das coisas que julga-se ser bom, tem grande influências externas, como por exemplo de amigos, da sociedade, duma frustração antiga, de um trauma independente de qual seja é o suficiente para gerar um conflito.
Mas a verdadeira raiz destes conflitos vem na maioria das vezes devido à incompatibilidade entre aquilo que pensamos, e a forma como agimos. Um exemplo claro é o de uma garota com seus 20 anos, caloura de publicidade e propaganda, seu corpo não segue os padrões postos como bom pela sociedade atual e então “ Camila pretende perder peso, mas gosta muito de comer, e detesta fazer sacrifícios.” Este exemplo é clássico para entender como se forma os conflitos internos. O motivo pelo qual ela quer perder peso vai alem de cuidar da saúde, e passa a ser desejo pela padronização do bom modelo que foi dado a ela.
Quando o amor, diversão, dinheiro, sonhos e sexo se tornam motivo de preocupação, é sinal de que algo está errado. Algumas pessoas na correria do dia-dia, na vontade de estar inserido na sociedade da forma padronizada que esta impõe deixa a vida passar despercebidamente e o saber lidar com as preocupações diárias se tornou uma característica desejada, isso porque a ansiedade foi colocada ao posto de vilã nesse mundo moderno, e mesmo sendo de suma importância para a sobrevivência, ela tem o estigma de atrapalhar as relações pessoais, a competência no trabalho e todo tipo de situação delicada.
Em um papo como a psicóloga Wanessa Pavani ela fala que a ansiedade em si não é doença, é uma reação normal do ser humano e faz parte do nosso sistema de defesa sempre que é apresentado situações que provocam medo, dúvida ou expectativas. O termo ansiedade em si é novo, tem pouco mais que 100 anos, foi usado pela primeira vez por Sigmund Freud ele se utilizou desse termo pela primeira vez no fim do século 19, mas sua definição era bem pouco precisa, de que a ansiedade é o medo de “algo incerto, sem objeto”. Porém, quando esse sentimento persiste por longos períodos de tempo e passa a interferir nas atividades do dia a dia, a ansiedade deixa de ser natural e passa a ser motivo de preocupação. É quando ela cita a ansiedade enquanto doença, chamada de Transtorno de Ansiedade Geral ou TAG, as pessoas passam por maior intensidade de ansiedade durante seu dia a dia.
O TAG é crónico e preenche um dia com preocupação exagerada e tensão, mesmo que haja pouco ou nada para provoca-lo, um medo considerável de passar por humilhação ou vergonha também são características. O medo de passar por uma humilhação se explica pelo fato de " As pessoas se alegravam tanto com a humilhação moral do próximo, que jamais abriam mão desse prazer ouvindo explicações.” como é relatado no livro A insustentável leveza do ser escrito por Milan Kundera . O medo se torna então em um sentimento que descreve a ansiedade, porem ao mesmo tempo se diferencia, onde as duas sensações estão distante do perigo. Na ansiedade, o motivo de preocupação está no futuro já no medo, a ameaça está próxima, ou seja, quem teme constantemente ser assaltado na rua, vive num estado ansioso, porém no momento do assalto, a pessoa sente simplesmente medo.
Quando se é uma pessoa pertencente do Transtorno de Ansiedade Geral, os conflitos internos são criados à partir da ordem moral e pessoal valorativa, um exemplo bem claro são os fracassos, que nos paralisa por medo, quando não há investimento em nós mesmo, existe um sentimento de magoa contra nós mesmos. Imagine só um jovem com seus 15 anos de idade entrando no ensino medio com a pressão em ser bom durante ele todo e escolher o que quer pro resto da sua vida, lembrando que ele sofre com o tag. Sua experiencia certamente não vai ser das melhores e pode ser que ele escolha não ter uma profissão formalizada pois vai se sentir pressionado .
Um individuo que convive com a "TAG" tem como característica propiá a sensibilidade á criticas, uma baixo autoestima, sempre tem pensamentos que são frequentemente auto destruidores e imprecisos e sua habilidade em se socializar é muito fraca. Um exemplo é o de Marcela, mãe do pedro com apenas 10 anos e estuda em colégio próximo da sua casa. Ela está sozinha em casa e ouve um barulho na porta de entrada. Em vez de lembrar que é seu filho voltando da escola, imagina que é alguém tentando invadir sua casa e começa a sentir uma certa ansiedade. Talvez esse sentimento possa ter vindo a tona instantaneamente pelo fato de sua casa ter sido assaltada duas vezes no mesmo ano em plena luz do dia mas se estivesse parado e pensado que poderia ser simplesmente o filho, ela não teria sofrido nenhum desconforto. É como a psicóloga Pavani trata sobre a influencia na vocação para ser mais ou menos ansioso o que define também são as experiências que cada pessoa teve, podendo ser elas traumatizantes ou não.
 Também existem pessoas que diante aos conflitos prefere sair com os amigos e utilizar uma ótima técnica da psicanalise como explica a Psicóloga Juliana Prado, ela que é professora de psicologia na faculdade metropolitana de maringá. Nos revela que o que diminui a ansiedade é a liberação desta energia que permanece acumulada. A solução é a terapia, a cura pela fala, a associação-livre, a catarse. Porem muitas pessoas desenvolve um outro jeito dessa terapia, ao invés de ser com terapeutas, profissionais da área preferem se abrir com um amigo, familiar algo do tipo.
É muito comum também o sofredor ou quem está a sua volta achar que se estiver sorrindo tudo vai acabar, e nessa busca ele sai com os amigos para balada, jogar bola, bares, churrascos entre outros eventos e lazeres assim esquecendo momentaneamente da razão que teve para sair para esses lugares. Juliana coloca esse exercício como surgimento de uma ansiedade diante aos conflitos, é quando acumulamos uma grande quantidade de energia que necessita ser liberada (satisfeita) e no entanto, não é.
Há uma grande possibilidade em encontrar quem se refugie para o lado dá fé, e o chamado para esse refugio é constante seja ele por meio de folders, imagens ou mensagens. Esses chamados propõe uma libertação, a famosa liberdade que tanto almejamos. Seja ela liberdade de aflições, angustias ou ate mesmo do coração apertado por conta do sentimento de culpa ou algo do tipo que estão por toda parte, geralmente quem se apega nesse modo sempre em seus tempos livres vai em busca desse refugio, assim indo a igreja, encontros da mesma, assim o individuo sente-se aliviado em relação aos seus conflitos internos e dá uma maior esperança de que tudo vai ficar bem. É um tratamento sem acompanhamento psicológico, mais que muitas vezes dá certo explica a psicóloga Juliana.
Midian para se refugiar do seu conflito por conta das preocupações constantes com seus filhos, sempre conversa com uma amiga, ou quando tinha uma folga saia com seus pequenos, levava-os ao parque e aproveitava o máximo que podia deles, sair pra dançar e rir com seus amigos era muito raro, por que pra fazer isso ela precisava que seus pais olhassem as crianças. Porém sua solução foi sair da loja, seus pais voltaram pra São Paulo, sua cidade natal e como as coisas já estavam difíceis com eles aqui imagina sem eles por perto. Mais uma vez ela sofre um conflito, pois sua razão era ir embora mais as emoções clamavam para ficar, pois não queria largar tudo que já havia construído por aqui mesmo em meio a tantos conflitos, coisas boas tinham acontecido.