Mateus 8 — Fé

Ele veio aqui. E era difícil não se ouvir sobre Ele. Muitas pessoas O seguiam em busca de milagres, talvez haviam ali alguns curiosos, outros duvidavam e ainda tinham aqueles que se comprometeram a estar com Ele, eram como amigos.

Cristo mostrou seu amor por aquelas pessoas. E mostrou juntamente seu poder. Simples ou importantes, autoridades ou escravizados por doenças e demônios, elas se aproximaram e receberam o que pediram, porque creram.

E nesse ponto, é necessário chamar atenção para algo particular: antes ou depois de receberem o que desejavam, essas pessoas de alguma forma reconheciam a identidade de Cristo como Senhor, seja ao se prostarem, em alguma declaração e até mesmo pelo serviço. A fé delas se pautava antes em quem Ele era, e o poder era apenas uma consequência de sua identidade.

O mais curioso é que no meio desse capítulo há a narração de Jesus acalmando a tempestade. Vemos Cristo dormindo enquanto os discípulos se desesperavam pela violência do mar. Vemos ainda eles, aparentemente, gritando com Jesus suplicando por salvação daquela situação potencialmente desastrosa que a tempestade formara. Cristo os pergunta acerca do medo e os evoca como homens de pequena fé, acalma a tempestade e no fim, os discípulos fazem uma pergunta que talvez responda a pergunta de Jesus: quem é esse que até o vento e o mar lhe obedecem? (Mt 8.27)

A fé se pauta em conhecimento e cremos em alguém quando estamos convictos sobre a sua identidade. O interessante desse capítulo é que as pessoas que estão tendo um primeiro contato com Jesus são curadas por terem fé sendo uma até elogiada por conta disso, enquanto os discípulos que caminhavam com Cristo, que eram próximos dEle, são advertidos pela falta de fé.

Podemos achar que crer em Jesus está relacionado ao tempo de caminhada com Ele, ou a uma possível proximidade que, às vezes, até julgamos possuir. Mas não. A fé se baseia em conhecer, em se orientar não pelas circunstâncias mas pela esperança. E como é difícil isso!

Em 2 Co 5.7 diz “vivemos pela fé e não pelo que vemos”. Esse versículo foi escrito no contexto de orientar uma conduta coerente com a crença de uma vida terrena passageira e outra posterior, eterna e com Cristo e Seu Reino. E é exatamente isso a que somos desafiados. Ter fé em quem Cristo é e apartir disso, se submeter ao que Ele pode fazer.

Interpretar a realidade do ponto de vista lógico e material é muito mais cômodo e de certa forma nos alivia de reconhecer nossa incapacidade. Às vezes até reconhecemos, e por isso nos desesperamos. Mas afirmar a identidade de Jesus como Senhor, e viver coerentemente com isso, é ao que somos chamados! Não devemos desanimar pela realidade que nos cerca, mas ter como âncora a esperança, que não se trata de um positivismo cego, mas da certeza de quem Cristo é.