Mudanças…

É, de certo modo, espantoso quando observamos uma pessoa desde o seu nascimento até a fase adulta. Todo ser humano tem duas certezas em sua vida: uma que ele vai morrer, e a outra de que ele vai mudar.

As mudanças fazem parte da vida e muitas vezes elas são resultados de ‘acasos’ e outras de nossas escolhas. Quando agimos, há uma reorganização de milhares de probabilidades na qual essa atitude vai culminar, que pode ser um desfecho feliz ou não. Obviamente, é muito mais fácil aceitar uma mudança requerida do que aquela que aparece do nada e que além de nos transformar, nos marca profundamente. Acho que toda mudança marca, mas algumas são tão doloridas que preferimos ocultar e fingir que nos adaptamos.

Adaptação: essa é a palavra-chave ao meu ver, que deveria vir junto com as mudanças inevitáveis. Porém isso nem sempre acontece. É claro que a adaptação em alguns casos, é rápida e em outros demora mais. O tempo é quem mostra se ela existe ou não. E enquanto ela não surge, a gente tende a atuar. Poucos mostram suas fraquezas publicamente, e assim mostramos para o mundo o que ele mais cobra da gente: estamos felizes, dizemos a famosa frase “ que isso, não foi nada, estou bem”, tentamos convencer a todos que estamos adaptados, mas não conseguimos nos enganar, e nem a Deus.

Talvez seja esse o problema: a atuação. Fazemos do mundo um palco, das pessoas um público, e de nós protagonistas. Lá fora, somos tudo que as pessoas querem que sejamos, fazemos o público vibrar, somos a inspiração. Sozinhos, nos deparamos com nosso fracasso e com o autojulgamento que surge quase que instintivamente, e com a miséria de não poder ser quem somos. Não apenas para agradar o público, mas na tentativa de facilitar a vida e machucar menos aqueles que amamos.

Sinceramente, eu não sei onde isso termina. Talvez algum dia a gente exploda e rasque as máscaras (nesse caso, a mudança será muito mais drástica porém, acredito que bem aceita) ou podemos nos fundir ao personagem e esquecermos quem éramos. A outra possibilidade é de continuarmos atuando e sendo autojulgados até que a outra certeza se concretize. Assim partimos nus, sem máscaras e sem ensaios para estar diante de alguém que sempre via “por trás das cortinas”.

Que possamos avaliar nossas mudanças, principalmente aquelas que escolhemos: que haja força, paciência e que tenhamos convicção daquilo que queremos que permaneça e daquilo que podemos deixar ir.