Prognóstico

Parecia uma criança. Ela chegou sorrindo, até eu fechar a porta.

Perguntei o que sentia. Fez cara torta, não soube responder. Disse que tinha algo mas que não sabia descrever. Sentia dor, sem localização, que aparecia às vezes, sem associação. Mas também disse que não sentia nada, era tudo imaginação.

Perguntei quando isso começou. Foi uma confusão! Falou que era antigo e novo ao mesmo tempo, que era inédito e repetido. Que doía menos do que já doeu, porém não doía. Era tudo mito.

E o que você faz pra melhorar? (perguntei já inquieta pela situação). Ela me disse que não fazia nada, ia embora sozinho. Mas voltava. Quase sempre, não ia, ficava.

Não havia tratamento, nem remédios, terapia ou exercício. Eu não tinha nada. Como pode alguém ser saudável e doente? Como pode alguém se queixar de nada?

Pensei até que pudesse ser coisa de alma, mas ela disse que tinha outra causa. Ela sentia dor por não conseguir ser quem era. Brigava consigo mesmo e se machucava já que era quem batia. E quem apanhava.

Saudáveis podem ser doentes, basta esconder o que sentem.


O prognóstico

quase sempre

mente.