Reflexo
Havia sorrisos, mas era uma máscara. Ao olhar seu reflexo numa poça de lama, não viu nada além de si.
E se assustou.
Quem é você? Quem eu sou?
Sou um eco distorcido de mim, um cd pirata, uma cópia barata que vendo, que compram. Tudo isso pra esconder minhas fraquezas. Esconder que em mim há tristeza, há lágrimas, há incerteza. E há outros hás, e uma explicação: ‘as pessoas não tem culpa disso, não me merecem nem precisam’.
Eu mereço.
Tenho um nome e sobrenome. Um RG, um CPF. Um rosto, um corpo, um espírito, uma alma. Mas não tenho um eu. Não tenho eu. Ou talvez eu tenha mas desconheça.
Agora eu vejo em partes. Mas chegará o dia que me verei face-a-face. E enfim, a arte escondida em cada pedaço de mim.
Havia sorrisos, e não era uma máscara. Ao olhar seu reflexo numa poça de lama, não viu nada além de si.
E se alegrou.
Eu sei quem eu sou.
Sou um livro, uma história. Uma pintura, escultura. Sou a versão original, sou quem vêem, sou real.
E vou sendo enquanto vou vivendo. Conhecendo, descobrindo, mudando. Não tenho forma, nem padrão. Tenho o inevitável, a sorte e o azar, a predestinação, os meus passos e um chão.
Tenho você. E a medida que sou quem és, sou quem sou. E a medida que deixo de ser eu, eu quem de fato sou.
