Dia do Amigo: um olhar sob a luz da Palavra

Ontem, 20 de julho, foi o Dia Internacional do Amigo. Eu, como um bom curioso fui pesquisar o porquê desta data: certo médico argentino, em 20 de julho de 1969 (a mesma data da chegada do Homem a lua) enviou cartas para diversos países na busca de oficializar a dia comemorativo à amizade, alegando que a união dos Seres Humanos foi o sucesso de feito tão grande. Bonito, não?!
Ainda não satisfeito com a pesquisa fui buscar o que é a amizade. De acordo com o dicionário, o substantivo revela: 1 — sentimento de grande afeição, simpatia, apreço entre pessoas ou entidades… (Até aí, nenhuma novidade).
Enquanto cristão, busquei o que a amizade significa ante as escrituras sagradas e, para minha surpresa, encontrei algo bem diferente do que costumamos ouvir. Leia atentamente os versículos abaixo, a maioria retirados do livro de Provérbios:
• O amigo ama em todos os momentos; é um irmão na adversidade. Provérbios 17:17;
• Melhor é a repreensão feita abertamente do que o amor oculto. Quem fere por amor mostra lealdade, mas o inimigo multiplica beijos. Provérbios 27:5–6;
• Assim como o ferro afia o ferro, o homem afia o seu companheiro. Provérbios 27:17;
• Muitos se dizem amigos leais; mas um homem fiel, quem poderá achar? Provérbios 20:6;
• É melhor ter companhia do que estar sozinho, porque maior é a recompensa do trabalho de duas pessoas. Se um cair, o amigo pode ajudá-lo a levantar-se. Mas pobre do homem que cai e não tem quem o ajude a levantar-se! Eclesiastes 4:9–10;
• Perfume e incenso trazem alegria ao coração; do conselho sincero do homem nasce uma bela amizade. Provérbios 27:9;
• Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a vocês. Romanos 12:10.
Os versículos acima desenham o sentimento de amizade de uma forma diferente do “todos unidos, dando às mãos e cantando felizes”. A Palavra de Deus traz a amizade como uma parceria de momentos dificultosos e cheios de adversidades. Nenhum dos exemplos acima diz que a fraternidade é 100% alegria, se embebedar e curtir até a noite findar.
Os textos não abrangem se quer uma reunião amistosa com comes e bebes na tarde ensolarada de um domingo de verão. Da dor nasce a amizade (Pv 17:17). Em seguida, no Pv 27:17, diz que um homem afia ao outro, como o ferro lima o ferro. Ou seja, amizades constroem nosso caráter, provam a nossa paciência e traduzem quem realmente somos ante o que nos fere.
Quem lê este meu raciocínio pode se questionar “Ok. Mas aonde ele quer chegar?”. Na verdade, não quero chegar a lugar nenhum, porque é muita prepotência apontar o valor da amizade de alguém. No entanto, as passagens acima me fizeram refletir sobre o papel do amigo, sobre o que é essa figura no nosso dia a dia: é alguém que não te deixa cair; alguém que está junto mesmo discordando de você; é aquele que mostra direções sinceras mesmo você não querendo ouvir, mas é, principalmente, aquele que te aproxima mais de Deus.
Quantos dos seus amigos têm favorecido sua intimidade com o Pai? Quantos têm te distanciado das diretrizes do céu?
As mães têm em comum àquela famosa frase “Amigos são seus pais e Deus, o resto não quer ver o teu bem!”. Há uma sabedoria singular neste pensamento. Não que concorde plenamente, mas o cuidado em separar, avaliar e perceber quem realmente quer-nos bem é o prumo que verifica para onde pendem nossos amigos.
O pensamento de hoje não vem para deixar meu leitor desconfiado, mas sim, esperto. Não há homem fiel na face da Terra (Pv 20:6). Para concluir meu devaneio na Palavra, vale mais ter a companhia de um só amigo sincero, que alavanque nossa jornada, do que dez outros tentando, por debaixo da máscara, nos fazer cair ou mesmo estagnar.
O único e eterno amigo que se doou por inteiro foi Jesus. Morte de cruz, de sangue, de aliança. A outra parte desta amizade, que somos nós, não tinha e não têm nada a oferecer. Daí a veracidade estampada na Salvação: cordeiro sem máculas oferecido e transgredido pelos erros de outras pessoas. Reflita: Que amigo dá a própria vida em perdão do erro de outrem?!