Já tive sonhos

Estou em uma fase complicada. Favorável, mas complicada, bem como quase tudo que já vivi. Com o fim da graduação e o emprego novo, muitas possibilidades são projetadas no horizonte por meio dos sonhos, os quais são um real problema.

Os sonhos propriamente ditos não são tão ruins assim, mas, sim, as expectativas que eles geram. Por muito tempo os suprimi, na verdade, desde o 2º ano do ensino médio (2011) que decidi parar de arquitetar meu futuro.

Explico o diagnóstico: por muito tempo convivi com uma pessoa em depressão, e por ter de cuidar dela, e ver coisas ruins a acometendo, e, indiretamente, a mim também resolvi ser mais ‘relax’, viver o momento, sabe? Sem o estresse de cumprir com as expectativas que eu mesmo criaria. Para não ter o que ansiar, deixei as coisas acontecerem como deveriam, sem grande esforço para executá-las.

Outro tópico deste diagnóstico foi a minha negatividade. Percebi que coisas ruins aconteciam e me acometiam mais do que os outros — um pensamento tolo e nada verdadeiro, é claro.

Atualmente, depois de viver outras inúmeras situações, em que, o fundo do poço me impulsionou para a superfície, convivo com mais um dilema: o voar. Como um passarinho tem medo de praticar seu voo, ou como os primeiros passos vacilantes de um bebê, me sinto desorientado para acreditar em meus sonhos e executá-los.

De certo que, até agora, a tática de deixar as coisas acontecerem funcionou, mas chega um momento em que a vida cobra mais proatividade da gente. Somente esperar não é mais satisfatório para aqueles que querem romper consigo mesmos e realizar. A palavra é realizar.

Fazer dos sonhos realidade palpável é a meta para 2017. Podem ser pequenos, grandes, só meus ou compartilhados. O momento é favorável para suscitar e acreditar, sem vitimismo. Tem aquele discurso chavão de que somos responsáveis pela própria felicidade, no entanto, sabemos de sua parcela de veracidade e preferimos omiti-lo em nosso subconsciente.

Ainda não sei a receita para voltar à ativa sem “balançar as estribeiras”, como diz minha mãe. Contudo, entendi que o primeiro passo foi dado com o despertar do meu consciente em assumir meus medos e estar disposto a superá-los. A vida não é paga à vista, ela é parcelada e com quantidade exorbitante de juros, cobrados de acordo com o poder de superação de cada um: quanto mais você supera, mais pode romper e aprender a acreditar em si, para realizar com qualidade os sonhos outrora abandonados.