Igreja social e a descendência espiritual
Não é de feitio de minha pessoa falar de assuntos tão herméticos a livre audiência, porém está explícito a atual e preocupante situação de arrebatamento desenfreado de fiéis e sua utilização para, o que alguns sábios chamariam de decadência, ou simplesmente seleção natural descontrolada, provam que a profética música Admirável Gado Novo de Zé Ramalho em suas estrofes descrevem a as massas manipuladas que atrás da prosperidade dão muito mais do que recebem, vivendo a rotina da família tradicional brasileira e condenando os gados desgarrados que buscam novos rebanhos.
Conforme subimos nessa árvore de aprisionamento a partir do reino onde vivemos, passamos por várias etapas, indo do aprisionamento físico, moral, financeiro, mental e espiritual. Para uma melhor conceptualização, é necessário que compreenda-se que o mundo em que supostamente vivemos, é regido por uma dualidade omnipresente, não existe um meio termo, ou é bom ou ruim, bem ou mal, libertador ou aprisionador, não existe meio termo nesse caso, o mundo não trabalha no otimismo, não existe copo meio cheio, afinal a parte supostamente “vazia” está preenchida com ar.
O fato é que historicamente, as igrejas forçam a humanidade a subir uma árvore (ou um monte, montanha, torre fica a escolha do leitor) para que possamos encontrar um ser que represente toda a divindade na qual todo aquele esforço foi realizado, isso é uma representação simbólica, mas real em essência.
Aos leitores que realmente entenderam minhas “vagas” palavras presentes acima sabem onde quero chegar. Em todo empreendimento que realizamos, percorremos uma jornada que está cravada no conceito acima citado de polaridade e dualidade, podendo ser sucesso ou fracasso, vitória ou derrota, vida ou morte, a consequência fica a escolha do empreendedor através das suas vontades e atitudes.
Pegamos por exemplo o caso de uma igreja, onde SUPOMOS que o objetivo seja guiar o seu rebanho ao encontro de Deus. A partir do momento que participamos de uma igreja, ficamos atrelados as suas doutrinas, dogmas, ideais e objetivos, que pode ser resumido para os familiarizados com o assunto, com a definição de Egrégora, que define um conjunto de mentes com mesmo objetivo. Enfim, se a igreja tem realmente o objetivo de guiar seu rebanho a Deus (no conceito do censo comum) então e Egrégora será tomada pelo objetivo de encontrar Deus, se todos assim desejarem.
Mas supomos que o conceito de “Deus” varie para cada indivíduo, para alguns, um senhor barbudo, sentado em uma nuvem e assistindo a um Big Brother Mundo, onde tenha o poder de eliminar qualquer um que lhe de na telha, para outros é a representação do conceito abstrato de felicidade, o síndico de um grande conglomerado luxuoso no céu ou até mesmo um objeto valioso de papel impresso pelo banco central.
Agora, se pegarmos todas essas definições, colocarmos todos embaixo de um teto de uma igreja, e criarmos uma Egrégora, qual sua visão de Deus? Será uma visão límpida e clara da divindade? ou uma conceptualização abstrata baseada na união de todas as concepções individuais trazidas para dentro.
Por isso, poucas pessoas e poucas igrejas alcançam seu objetivo, das mais sucedidas, podemos citar aquelas que colocam a concepção de Deus no Dinheiro e na prosperidade financeira, na quantia de fieis e quantidade de massa manipulável, e aquelas igreja que colocam a concepção de Deus em sí mesmo, onde cada integrante da igreja seja uma parcela da divindade e que o coletivo manifesta-se como Deus. Lembro novamente que conceito de sucesso é relacionado ao real objetivo e polo na qual se manifesta.
Por isso é necessário conhecermos o real objetivo de uma igreja, se ela foca no dizimo, ou em guiar os rebanho a Deus, se ela foca em libertar o rebanho ou guia-los ao matadouro da ignorância. Por mais nobre que (talvez) seja o objetivo dessa igreja, talvez sua escalada leve a um galho no qual não seja o seu objetivo ao ingressar nessa egrégora, e talvez não seja culpa da igreja, e sim das mentes participantes da mesma. Sua melhor arma é o questionamento e a reflexão, independente do polo.
E para finalizar, substitua o conceito de igreja, por uma marca, canal de televisão, partido político, série, jogo, vício, e terá o mesmo resultado.
E lembre-se acima de tudo, faz o que tu queres, se lhe faz bem, que seja sua lei.