Artista, gay e sozinho: parte 2

Eu fico aqui, que nem um maluco, com um look inteiro de moletom velho e meias de ursinho, chorando com o álbum novo da Anavitória e tomando chá verde com cereja pela quinta vez hoje (na verdade, perdi a conta), e pensando: “Alguém me explica por que esses casais são tão felizes na web?”.

Todo domingo eu sento em meu escritório (que fica no meu quarto mesmo), e finalizo o planejamento de mídias sociais que se estenderá pela semana. Trabalhar com redes sociais envolve, obviamente, ver o que as pessoas estão postando, para entender que tipo de conteúdo pode atrair quem me ouve.

E eu fico, muitas vezes, percebendo que todos os chamados crushes que eu conheci sempre acabam aparecendo nas stories com os seus digníssimos namorados. E eles, sempre com sorrisos, e essa intimidade e esse companheirismo que são tão lindos que a gente acaba querendo ter pra si.

Esses dias eu estava conversando com a minha psicóloga, que me orientou sobre algo importante: eu, estando em uma fase de impulsionamento da minha carreira, preciso focar na música ao máximo. Afinal, eu mesmo disse a ela: quando me apaixono, eu perco o foco. E não posso perder agora.


O problema é que, num domingo, quando você poderia comprar um par de tickets pro filme da Anavitória, todo mundo está em um compromisso importante, inclusive você: é edição de vídeo, planejamento de mídias sociais, postagens, horários, agenda, conversa com equipe sobre o próximo show, etc.

E aí, mesmo entendendo que esse “sacrifício” — que nem é sacrifício, porque eu amo— é uma coisa linda em nome da música, quando a noite acaba, não vai ter alguém pra te esperar, esquentar seu pé, te chamar pra assistir um filme que fará vocês dois dormirem — ou começarem a transar — na metade.

Quando o dia acaba, mesmo que você receba amor das pessoas que estão nas redes sociais, que irão ao seu show, a sua cama está vazia — a não ser por você nela… e não há nenhum discurso (próprio ou alheio) sobre amor-próprio no mundo que vai fazer você não desistir da vontade de ter alguém pra te dizer:

“Que orgulho eu tenho de você, meu amor, meu artista. Eu vou cuidar de você, você vai cuidar de mim, e eu quero estar do seu lado nesse caminho!”

Se você souber de alguém com coragem de sair de casa num domingo à noite para assistir a um filme e, por pelo menos um dia, ser um bom companheiro de um artista sozinho, me avise. Mas precisa ser alguém que não seja eu mesmo, porque essa companhia eu já me faço há tempos.

E que, a propósito, é ótima.
Tem chá, tem música e meias de ursinho.
E eu posso até emprestar.