Liberando emoções negativas

meditar é olhar para dentro

No geral não olhamos muito para nós mesmos: pensamos no que queremos (ou não queremos) que aconteça conosco. Se estamos apresentáveis, saudáveis, se temos as pessoas, coisas ou entretenimentos que desejamos por perto. Ou , ao contrários se conseguimos manter bem longe as pessoas, coisas e situações que não gostamos nem um pouco. Se nos mantemos somente nesse nível podemos ter incômodos que não passam. Por exemplo, existem pessoas que se acham feios ou feias não importa quantas plásticas façam ou quantas pessoas as elogiem. Sempre tem algo ou alguém que incomoda, que irrita e essas sensações nos levam de um lado para outro feito ratinho de laboratório sem conseguir resolver ou se livrar dessas perturbações. Hoje mesmo vi um homem gritando na rua: “Isso não tem fim? Meu Deus! Isso não tem fim!!”. Temos tanto sofrimento e na maioria das vezes nem sabemos o direito porque. A busca interior pode ser uma das melhores chaves para isso.

Olhar para dentro segue o mesmo principio de trazer a responsabilidade para si (deste texto AQUI), já que mudar o outro é uma tarefa praticamente impossível. Quando nos olhamos vemos o que somos. Nossas qualidades e nossos defeitos juntos formam uma só tela, momentos de generosidade e momentos de inveja, momentos de agressividade e momentos de compaixão. Mas quem é que quer ver seu lado sombrio? Quando o lado sombrio mostra sua cara duas reações são as mais comuns: a justificativa e o auto-julgamento. A justificativa é tentar se isentar da responsabilidade de sentir determinada emoção que prejudica não só sua própria vida, mas a vida de outras pessoas também. Com isso dizemos que a raiva foi por que fulano cruzou seu caminho ou disse isso e aquilo… Conhecemos de cor e salteado essa parte, somos especialistas em justificar nossas perturbações.

A segunda reação é uma pouco mais difícil de perceber, já que o auto-julgamento gera a ilusão de arrependimento. Sim, ilusão de arrependimento. Nos sentimos culpados por ver que nós abandonamos, agredimos, invejamos, enfim, prejudicamos alguém de uma forma ou de outra. E o que fazemos agora que sabemos de tudo isso? Nos culpamos, criticamos e ficamos nos sentido pedaços de merda flutuante no espaço sideral! A força parece sair do corpo, um desanimo total toma conta e buscamos saciar um vício ou outro para passar por cima desse mal estar. Obviamente isso não leva a lugar algum, só traz mais angústias e sofrimento.

Encarar a si mesmo sem se chicotear ou se afogar na lama é um ato de coragem. Simplesmente ver e aceitar os fatos mais duros sobre sua personalidade e trajetória de vida. Para não cair na justificativa e no auto-julgamento é necessário um pouco de disciplina mental que pode ser resumida em não acreditar em pensamentos que surjam na mente em que se justifica ou qualquer tipo de auto-julgamento. Todas vez que esses pensamentos surgirem devemos reconhece-los e nos lembrar de que não irão nos ajudar. Simplesmente sair dele. Como? Levando a atenção para fora desse pensamento, pode ser na respiração, pode ser no ambiente, para os pés, etc. Este tipo de pensamento vem junto com algum tipo de emoção ou sensação física avassaladora. Precisamos sentir isso ao máximo, já que toda a energia dessas perturbações estão contidas nessas sensações fortes e se conseguimos deixar essas energia fluir pelo corpo sem nos justificar ou nos culpar ela se dissolve e se libera!

A metáfora budista das emoções perturbadas serem como nuvens que por mais que bloqueiem a visão da luz temporariamente, o sol da consciência continua a brilhar

Essa “modalidade” de evolução pessoal é crua, rápida e efetiva. Sem floreios, aceitar quem se é pelas entranhas mesmo. Lembrando que a auto-transformação exige um desejo muito forte de ser uma pessoa melhor e disciplina para buscar essa transformação. Não precisamos esperar o leito de morte para olhar para nós mesmos profundamente. Quanto antes iniciarmos o processo maior a chance de envelhecer felizes em ser o que somos e de irmos deste planeta sabendo que lutamos o bom combate. Facilita se meditar todos os dias para conseguir manter estabilidade mental e percepção clara dos processos mentais e emocionais, não é pré-requisito, mas ajuda muito. Vamos repassar para ficar mais claro o processo:

- Escolher uma emoção perturbada que se repete. Não precisa ir logo na mais perturbadora de todas, é importante começar com alguma mais simples para entender como funciona.
- Quando essa emoção surgir perceber os tipos de pensamentos que brotam juntos, lembrando que tendem a ser de justificativa, fuga ou culpa. Por mais que alguém realmente tenha pisado no seu pé. A raiva surgiu dentro de você e ficar raivoso durante o dia inteiro não vai mudar em nada o que aconteceu. Não perca sua energia com justificativas externas!
- Não dar bolas a esses pensamentos e não fugir (entrar num joguinho de celular, saciar um vício, assisitir tv, etc).
- Com isso surgirão emoções e sensações fortes por todo o corpo. Observe elas. Algumas emoções são tão fortes que parece que vão nos matar. Mas não vão. Quem está morrendo é o padrão mental que gera a perturbação. Fique firme e tenha coragem de se encarar num nível visceral.
- Dependendo do grau da emoção isso pode levar pouco ou muito tempo. Se conseguiu fazer corretamente a sensação se dissipa do corpo e quando voltar a se repetir virá de uma forma mais suave. Repita o processo até essa perturbação não mais brotar.

Essa trajetória é libertadora. Tenho usado ela constantemente e com resultados positivos. É ótimo perceber que não preciso ser escravo das mesmas emoções e pensamentos, mas que por meio da observação consciente das minhas reações consigo soltar padrões antigos de comportamento e me percebo então mais leve, estável e alegre!


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