O Tarô e Destino: há necessidade de se prever o futuro?

Uma das mais temidas, procuradas e admiradas leituras de tarô é a previsão do futuro. Muitas pessoas acreditam que o tarô resume-se a essa prática e ficam de guarda quando o assunto tarô surge, o medo principal é o de ser enganado: umas palavras bonitas, contundentes, um amor novo a vista, perca ou ganho de dinheiro, um parente que morre, uma mudança de casa, demissão, etc, etc.

Isso é de fato possível, alguém realmente é capaz de “ver o futuro”? Como isso funciona? Sim, pelas minhas experiências com o tarô fica claro que é possível, isso se dá entendendo as correntes do presente que levam a possíveis desenlaces. O tempo todo temos muitas opções do que pode ser feito, algumas percebemos e a maiorias das opções nos passam completamente desapercebidos. Assim, temos padrões, caminhos que usualmente seguimos, seja nos hábitos, seja nas formas de encarar e reagir a realidade que nos cerca e também no mundo interno: repetimos os mesmos pensamentos e emoções. As cartas conseguem captar esses padrões e mostrar uma possibilidade futura. Mas isso pressupõem que o quadro geral não se altere, principalmente na intenção do consulente, pois o que acontece externamente tende a ser um reflexo do interno. Nós atraímos as situações, nada nos acontece ao acaso, dessa forma, o que um tarólogo diz que vai acontecer é devido a essa reverberação. Tudo que pode existir no futuro já contém seu embrião no presente e no passado.

No entanto, existem muitas possibilidades de futuros, há muitas sementes plantadas e que podem brotar ou não dependendo das ações da pessoa. Esse é o calcanhar de Aquiles de qualquer arte que se propõem a ver o futuro: para se dizer o futuro e “acertar” o adivinho deve pegar a linha principal de ação do consulente e reforçá-la. Isso por si só já se mostra pernicioso, já que limita a gama de escolhas conscientes do consulente, o prendendo a um futuro único, ao invés de ajudá-lo a tomar decisões acertadas, conectadas com sua verdadeira vontade. Com efeito, a tomada do poder pessoal por parte do tarólogo, ao tirar a responsabilidade da vida do consulente dele mesmo, o deixa condicionado a uma visão dualista de esperança de que seus esforços deem certo e com medo do fracasso. O problema dessa dupla esperança/ medo é que impede o crescimento do consulente que pode vir a desistir de uma ação por alguma carta do futuro mostrar que seu empreendimento pode vir a falhar e muitas vezes é exatamente essa dificuldade que o consulente precisa experienciar para se desenvolver. Ou como diz o ditado, “mar calmo não faz bom marinheiro”.

A ação transformadora do tarô consiste em elevar a consciência do instante presente, em trazer o poder do consulente de volta para ele mesmo, fazendo ficar cônscio da responsabilidade de sua própria existência e não dependente da visão adivinhatória. Arriscar, conhecer novos caminhos, enfrentar seus medos, expandir seus conhecimentos e experiências de vida. Não é necessário, no entanto, descartar completamente essa capacidade que o tarô tem de mostrar onde os caminhos levam, mas sim deixar claro quais são as múltiplas possibilidades de futuro, nunca dar a entender que o futuro é fechado, escrito em algum livro empoeirado antes do tempo vir a correr. De fato é impressionante conseguir ver o futuro com cartas, mas talvez seja mais útil a noção de desenvolvimento: após apresentar as questões vinculadas ao presente e observar alguns conselhos, a carta do desenvolvimento mostra qual caminho se abre caso o consulente siga os apontamentos das cartas que ele mesmo escolheu para si.


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