Além do céu

Quando eu era criança, olhava para o céu e imaginava uma cúpula. É… A ciência pode nos mostrar que além desse azul, ou dessa escuridão, sempre há o que descobrir. O céu não é uma cúpula, mas para o que adianta as estrelas para alguém tão insignificante quanto eu?

Alguém tão insignificante quanto eu prefere brincar, subir em uma dessas estrelas e decolar pelas galáxias. Sim, prefiro criar metáforas e apenas imaginar. Prefiro tracejar, inventar, encurtar, expandir, moldar… tudo o que essas palavras podem nos permitir criar.

Talvez eu não seja alguém que pegue um livro e busque o além dos olhos ou, talvez, eu seja a que mais busca. Sou muito presa a nossa realidade. Para falar a verdade, tenho inveja de quem não é cúmplice dessa cúpula gigante. Como é, ao olhar para o céu, preocupar-se com o além quando iguais se preocupam em olhar para o chão em busca de restos para sobreviver?

Alguém tão insignificante quanto eu tem suas prioridades. Talvez as estrelas possam nos contar uma história, talvez os números possam construir pontes, mas pessoas insignificantes, como eu, são as que, no final, dão sentido. Do que adianta tantos números e tanto desenvolvimento se não visam ao bem dos iguais?

Tenho inveja, mas confesso ter desprezo pela ignorância alheia.