Imagine viver em um mundo tão hostil à sua existência que você sente medo de frequentar espaços públicos. Pois é, mulheres vivemos assim o tempo todo!
Não é a lei que nos impede, pelo menos não diretamente, mas a total objetificação de nossos corpos.

Não somos sujeitos dignos de respeito, não somos sequer sujeitos. Somos peitos, bundas e bucetas expostos em vitrines e que podem ser tocados, apalpados e violados sem que a sociedade nem mesmo olhe com estranheza.

Quando falamos de assédio não falamos apenas do grito de "gostosa" na rua - que, sim, é no mínimo desagradável e ameaçador -, falamos de um sistema que vê não apenas o abuso verbal como o físico como naturais. Vivemos, afinal, em uma cultura do estupro. E o que isso significa? Significa que chegamos tão no fundo do poço que precisamos reservar um lugar "seguro" para mulheres no espaço público. Significa que órgãos público e instituições ADMITEM a constante violência que nos é imposta (embora não a combatam de fato).

Vocês já pararam para pensar como é BIZARRO chegarmos a um nível de falência como sociedade a ponto de ser "necessária" a criação de vagões exclusivos no metrô para que tenhamos nossa integridade física respeitada? Um único vagão exclusivo, quando somos mais de metade da população. Isoladas, temos uma falsa sensação de segurança. Mas, lá fora, o mundo nos espera.

O que está sendo feito para que possamos viajar em qualquer vagão do metrô sem medo de abuso sexual? O que está sendo feito para preservar as mulheres que por algum motivo não viajam no vagão exclusivo? Exclusivo, como o nome diz, de excluir. Não excluir os homens, mas as mulheres do convívio com a sociedade, de uma vida normal.

O que o mundo está fazendo por nós?