De tantos tempos

Todo ano é sempre igual: um ano a mais na conta da vida. Um ano a mais do que a vida dá. Talvez seja o desejo de estar sempre a frente do seu tempo.

Ele nunca fez parte do seu tempo. Quando eu ainda podia contar os meus anos de vida nos dedos, ele também podia. Ele já carregava o mundo nas costas, mas comigo era assim: brinquedos espalhados no tapete e uma brincadeira nova. Quando os anos já eram mais que os dedos, ele completava com os dele. Ele já tinha parte da barba branca, mas comigo era assim: conversa à toa sobre coisa boa. A trilha sonora da nossa vida sempre foi de outros tempos, daqueles que não fizemos parte — nem ele, nem eu — mas o amor sempre foi para a vida toda.

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