Válvula de escape — sessão 1

De vez em quando eu sinto necessidade de escrever. Principalmente quando eu estou triste.

Eu penso que já escrevi tanta coisa na vida que julguei que não era bom o suficiente pra mostrar para outras pessoas. Mas, sei lá, acho que isso não importa muito. A necessidade, a válvula de escape tá aqui. Preciso dela e tô aqui. E acho, e espero vir aqui mais algumas vezes. Porque pedir ajuda a um profissional é muito bom, é ótimo, mas é preciso um preparo psicológico que eu ainda não tenho.

Engraçado, né? Preciso de preparo psicológico pra procurar preparo psicológico.

O que eu tô tentando dizer hoje — por mais que eu perca a noção, o fio da conversa e devaneie um pouco nessa madrugada — é que tá tudo bem, eu posso ficar triste.

Tá tudo bem, eu posso ouvir as músicas melancólicas sem me sentir péssima por isso. Tá tudo bem, eu posso chorar e escrever isso tudo como forma de expressão mais íntima. Tá tudo bem, a vida de ninguém é perfeita, todos nós passamos por problemas. Tá tudo bem, as pessoas enfrentam batalhas diárias todos os dias e a gente nem tem ideia.

Sabe, tá tudo bem. Pode ter vontade de sumir por agora. Pode ter vontade de contar pra todo mundo como você se sente, mas ao mesmo tempo querer privacidade. Pode querer voltar no tempo e saber que não pode. Pode tudo isso, tá tudo bem.

Tá tudo bem. Vai que no meio desse devaneio todo não surge algo legal, não é? Uma luz, uma ideia, uma catarse, uma epifania. Tá tudo bem querer tudo ao mesmo tempo e também não querer nada.

Tá tudo bem, as coisas não estão tão boas agora, mas vai ficar tudo bem.

Eu vou fazer tudo ficar bem.

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