A eterna batalha

Não se sabe o porquê, mas deve haver um bom motivo para que coração e razão vivam em um conflito diário sobre como tocar nossas vidas. Quem sofre com isso somos nós, pobres humanos, que precisamos lidar com a indecisão causada por essa verdadeira batalha interior.

Essa questão sempre foi tema de uma infinidade de reflexões e até de pesquisas científicas, mas como minha intenção aqui é abordar o que vivo no dia a dia, também deixo minha contribuição, útil ou não, para o assunto.

“O coração fica do lado esquerdo porque ele não faz nada direito”

Há alguns dias ouvi essa expressão e a achei uma forma genial de tratar a questão com humor, além de concordar plenamente com ela. Quantas vezes não nos pegamos em meio a dilemas que nem sequer existiriam se usássemos apenas os fatos e a lógica por trás deles? Isso é uma constante na minha vida.

Todos os dias me pego explicando para mim mesmo, racionalmente, o porquê devo agir de determinada forma sobre determinado assunto, e como isso vai trazer resultados melhores — e, claro, menos sofrimento. O problema é que mesmo depois de assentir, entra o coração e sabota tudo o que foi pensado e argumentado, e o pior, sem lógica alguma! Ele simplesmente desconstrói toda e qualquer argumentação usada para fundamentar uma conclusão.

Contudo, acredito que seguir o coração é, na maioria das vezes, a melhor escolha a se fazer. O importante é analisar o que se passa em nossas vidas que pode ter “motivado” o coração a seguir por esse caminho. Sentimentos como ansiedade, carência e medo são péssimas influências, porque eles fazem com o coração o que ele faz com a razão: sabotagem.

Apesar de toda a complexidade, — e ausência de lógica, já que estamos no território do coração, terra onde mandam os sentimentos — vale o esforço para tentar fazer da razão uma aliada do coração, porque mesmo que eles não combinem em nada, ambos fazem parte da nossa essência humana e nos acompanham em cada decisão que tomamos na vida.

Assim, uns são movidos com mais intensidade pela razão, outros pelo coração, mas independentemente do grupo do qual fazemos parte, ser o “pacificador” entre esses dois opostos é uma função primordial para que a felicidade e a paz interior sejam frequentadoras assíduas do nosso dia a dia, afinal, talvez o motivo de sermos regidos por duas forças tão contrárias seja simplesmente encontrar o equilíbrio em nossa vida.


Originally published at valedasinestesia.wordpress.com on February 17, 2016.

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