Das formas de felicidade

Hoje pela manhã recebi a notícia de que uma pessoa querida foi aprovada no vestibular. Minha primeira reação foi dar os parabéns e desejar sucesso nessa nova fase, mas depois eu parei para analisar o que eu estava sentindo sobre aquilo — sim, autoanalise é um dos meus passatempos favoritos.

É interessante como a felicidade pode ser vivida de tantas formas e por tantos motivos diferentes. Nesse caso, por um momento eu me senti feliz de verdade ao ver alguém por quem tenho apreço e carinho alcançar um objetivo, e merecidamente. Isso me fez pensar no quão simples pode ser esse sentimento, e como em muitas ocasiões ele passa discretamente, em pequenas coisas ou em situações como essa, sem que o percebamos. Talvez a culpa seja das angústias e estresses do cotidiano, ou das expectativas criadas acerca de n coisas, não sei.

Outro ponto que me chamou a atenção foi o caráter de partilha dessa situação. Como é gostoso poder compartilhar a felicidade e tudo o que ela traz! Nesse caso, como foi bom receber essa partilha! Essa reflexão também me fez rememorar o quão importantes são nossas relações humanas, e o quanto o isolamento e o egoísmo são capazes de nos privar de ocasiões como essa.

Isso me remete a uma frase do filme “Into the Wild”, dirigido por Sean Penn, que é a adaptação de um livro de mesmo nome baseado em fatos reais, com a qual concordo plenamente:

“A felicidade só é real quando partilhada”.

Não é como se eu tivesse acabado de reinventar a roda ou redescobrir o fogo, longe disso, mas fato é que esse momento me levou a perceber, ou lembrar, que a felicidade está sempre por aí, flertando conosco, enquanto usa disfarces muitas vezes criados por nós mesmos.


Originally published at valedasinestesia.wordpress.com on February 12, 2016.