Das mudanças

A mudança é algo constante em nossas vidas. Querendo ou não, estamos todos à mercê de incontáveis transformações que ocorrem todos os dias, nos mais diversos aspectos da nossa existência. Os impactos trazidos pelo ato de mudar podem ser positivos ou negativos, dependendo da forma como lidamos com a situação e, claro, da nossa vontade a respeito dela.

Recentemente, me propus a realizar algumas mudanças na minha vida, como começar a escrever meus pensamentos aqui, por exemplo, e percebi que conseguir realizar a transformação proposta é algo realmente recompensador. Não raras vezes, nos deparamos com situações que já não fazem mais sentido em nossas vidas e, mesmo com a vontade de fazer diferente, não é fácil dar um passo em outra direção e iniciar esse processo. Muita gente culpa a chamada “zona de conforto” (que eu particularmente chamo de “zona de inércia”, porque de conforto ela não tem nada) por essa dificuldade, mas eu acrescentaria também a espera por resultados imediatos como um fator importante, já que toda mudança é acompanhada pela expectativa de um resultado.

Contudo, nem sempre o que esperamos acontece, e é aí que entram as frustrações, a ansiedade, a angústia e todas aquelas sensações inoportunas que gostam de nos assombrar todos os dias. Ainda assim, digo que arriscar e mudar vale muito a pena, porque o simples fato de consideramos uma mudança já é um sinal de sua necessidade.

Um termo muito utilizado para ilustrar todo esse processo é “virar a página”. Acho essa expressão bastante pertinente, mas considerando o que vivo hoje, usaria outra: “escrever um novo livro”. Por que me limitar a virar uma página se posso escrever mais um livro para compor a estante que é a minha vida? Há momentos que pedem uma nova escrita, uma nova história, um novo rumo, mesmo que não estejamos tão inspirados ou criativos para escrevê-la.

Por fim, existem inúmeras abordagens sobre esse tema nas mais diversas formas de expressão, mas quero deixar o trecho de duas canções de épocas bem diferentes para exemplificar o quão explorado ele é, até no meio artístico, o que significa também que sempre há espaço para novas reflexões:

Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”,

da música “Metamorfose Ambulante”, de Raul Seixas, lançada em 1973, e

They say people never change, but that’s bullshit, they do
Yes I’m changing, can’t stop it now
”,

da música “Yes I’m Changing”, da banda australiana Tame Impala, lançada em 2015.

Mudar é fundamental para acompanhar a dinâmica do mundo e da nossa própria vida!


Originally published at valedasinestesia.wordpress.com on February 17, 2016.

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