Papai Trump

Cansado da ladainha que contam sobre você, resolvi vencer a preguiça por um dia e esclarecer alguns assuntos que aparecem sempre quando você é o assunto.

1 — Trump é xenófobo

Xebófobo? Só um “tiquim” :-)

Xenofobia vem do grego e significa medo ou profunda aversão (nojinho) aos estrangeiros. Trump é xenófobo? Eu vi na Globo (“melhor meio de conhecer o que se passa na política americana, amiguinho” — disse o Dollynho) que ele quer expulsar imigrantes, especialmente os latinos e islâmicos. Ele quer construir um muro para fechar a América!

O grande problema de publicar uma opinião é que, a partir do momento que ela se torna pública, ela deve necessariamente ter valor. E se a opinião não é o resultado de um julgamento prudente do quebra-cabeça de fatos, ela não passa de um palpite. Alguns chamam isso de peido intelectual, ou flatus vocis pra quem gosta de latim.

Então, opinião deve vir de fatos. E para aprender os fatos, você deve escolher um meio confiável, com pouco ruído, para saber o que realmente se passa. É por isso que fontes primárias são as mais valorizadas: é o tipo de informação mais próxima de um fato.

Voltando ao papai, o que dizem as fontes primárias? Ele quer expulsar todos os imigrantes? Ele odeia latinos e islâmicos? Ele acha mesmo que o México seria trouxa de pagar a construção de um muro na fronteira americana?

A visão dele para imigração é a mesma visão adotada por qualquer país civilizado — só que eu mesmo pesquisei, incluo aqui Canadá, Suíça, Nova Zelândia e Austrália. E qual é o sistema usado nesses países sem mimimi da TV? Selecionar imigrantes qualificados por profissões em demanda no país. É o seguinte: ele quer promover um sistema de imigração legal que atende aos interesses dos americanos. Simples assim. A imigração deve servir para o bem do país, não para destruí-lo ou enchê-lo de criminosos. Assim, o plano do papai tem 4 objetivos:

Manter os níveis de imigração na média histórica
Selecionar imigrantes com base na sua chance de sucesso nos EUA
Estabelecer controles migratórios para garantir empregos primeiro aos americanos.
Deportar imediatamente ilegais que cometeram crimes.

Não há nada de xenófobo nos objetivos acima. Todo governante deve buscar o bem do seu próprio povo em primeiro lugar, caso contrário ele não é um governante, é um colonizador, um capitão-hereditário. Agora alguns fatos que a Globo e o professor da escola não mostram (e são fáceis de obter — no site do Trump estão as estatísticas e suas fontes):

Imigrantes ilegais que estão presos nos EUA já cometeram 25 mil homicídios (2011)
Existem pelo menos 2 milhões de ilegais criminosos dentro dos EUA (2013)
Apenas em 2013 o presidente Obama “anistiou” 300 mil ilegais criminosos, permitindo que eles andem livremente pelos EUA.
Desde o 11/09/2001 até 2014, 380 estrangeiros foram acusados de envolvimento em atos terroristas nos EUA.
Nos últimos cinco anos, os EUA aceitaram 100 mil iraquianos e afegãos, que nos seus países dizem que apedrejamento de mulheres é justificável.
62% das famílias de ilegais usa alguma forma de assistência social (bolsa) do governo
Entre 2013 e 2015 o Obama liberou 86 mil ilegais criminosos da prisão.

Espero que tenha ficado claro que papai não é um Hitler americano. Os EUA estão recebendo ondas maciças de ilegais, muitos dos quais cometem crimes violentos e/ou não têm chance de se manter nos EUA. Qual o bem que eles podem fazer à sociedade americana? Diferente dos imigrantes do século XIX e início do XX que ajudaram a formar o país (e eram todos legalizados), a maioria dos ilegais não conhecem a língua inglesa, muito menos têm alguma qualificação profissional. Isso para não falar dos islâmicos que odeiam a cultura americana. Qual a chance disso dar certo? Será que não é sábio selecionar quem quer entrar, fazendo checagem de antecedentes criminais e as qualificações do imigrante?

Falando em Islã, isso nos leva à segunda questão.

2) O Islã é da paz.

“Minoria” radical

Pesquisa realizada em 2011 mostra que pelo menos 25% dos islâmicos acreditam que apedrejar adúlteras é uma prática justificável. Isso dá, pelo menos, 900 milhões de malucos ou 4x o Brasil[1].

Ou seja, a cada 4 islâmicos que os EUA aceitam, pelo menos um é um potencial terrorista, crente nessas bizarrices. Que tipo de convivência pacífica pode existir com alguém que te enxerga como um pagão que, na melhor das hipóteses, deve pagar um imposto[2] para não ser escravizado ou morto?

Aliás, falando em Islã, é quase impossível achar alguém que leu os escritos islâmicos[3]. E mesmo assim, todo mundo tem uma opinião sobre o Islã. Geralmente é a mesma opinião da Globo (olha ela aí). Ninguém se dá ao trabalho de checar os fatos e conferir se não existe alguma interpretação terrorista do Islã.

E para a tristeza da Globo, dos Democratas e do Barack Hussein Obama, ela existe. Na verdade, ela é a interpretação literal do Islã, a interpretação ao pé da letra.

Explico: sabe aquele crente que leu na Bíblia que “a alma está no sangue”[4] e por isso não aceita transfusão de sangue? Então, isso é a interpretação literal da Bíblia. É interpretar o texto ao pé da letra. É isso que os islâmicos radicais fazem. Eles pegam os textos do Islã (não só o Corão) e interpretam literalmente.

Para piorar, parece que ao contrário do mundo cristão, a interpretação literal do Islã é a regra, não a exceção. Todos os países onde a maioria da população é islâmica transformaram em lei os “mandamentos”[5] do Islã (exceto, talvez, a Turquia[6]). É por isso que não se vê protestos do Femen no Irã, na Líbia, na Arábia Saudita. Então, amiguinho, o Islã não é a religião da paz. Pelo menos não em sua interpretação mais “pura”, mais próxima da interpretação que tinha Maomé. Os islâmicos moderados que conhecemos são apenas “islâmicos não praticantes”, isto é, são moderninhos[7].

Conhece alguém com pena dos islâmicos? Faça estas perguntas a ele(a):

Islamofobia é igual nazistofobia

3) Não reclame do Islã. A Igreja fez o mesmo na Idade Média

Terrorismo é “o troco” pelas Cruzadas

Quem diz isso não conhece nem o Islã, nem Idade Média. Desculpe amiguinho, mas aquele livro “didático” surrado que seu professor de História usa não é conhecimento. Ele conta a história de um lado só, quando muito. Experimente mandar email com as afirmações de livros didáticos a um medievalista, alguém que ganha a vida para estudar a Idade Média. Eu recomendo o Ricardo Costa, professor da UFES. Ele é bem acessível no email e no Face.

Como já falei do Islã, vamos à Igreja :-) Será mesmo que ela foi uma organização malvadona que queimava críticos e inimigos, escondia a Bíblia e a ciência das pessoas para não perder seu poder (parece até que estou falando da Spectre ou da Hydra)?

Todo historiador profissional, reconhecido internacionalmente, vai dizer a mesma coisa: a Idade Média teve períodos de progresso e decadência (como qualquer época); a Inquisição ajudou a modernizar o Direito medieval, trazendo ao uso o Direito Romano, que estava perdido desde a Queda de Roma — foi esse Direito que criou a noção de processo, testemunhas, juiz separado de acusação e defesa, provas, enfim, o Direito moderno é filho do Direito Romano; a Inquisição matou pouquíssima gente (não mais que 20 por ano); a Igreja, ao invés de “esconder” a Ciência, criou as universidades européias, a base das nossas universidades modernas; o Capitalismo foi pensado por teólogos católicos 200 anos antes[8] de Adam Smith. Para não me alongar, vocês podem conferir mais contribuições importantes da Igreja Católica medieval no livro Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental, do Thomas Woods, que é historiador por Harvard e PHD pela Columbia University[9].

Se você tem preguiça de ler, dá uma passada na página do facebook Repensando a Idade Média. Os posts de lá são excelentes e cheios de referências, especialmente aqueles de autoria do Pedro Gaião.

Enfim, a Idade Média não foi um mar de rosas nem uma Idade das Trevas[10]. Como qualquer época da História, teve seus altos e baixos. É ignorância juvenil rotular 1000 anos com uma única característica. Fecha a conta e passa a régua.

4) Não existe esquerda nos EUA (!!!)

Nós recuperamos Gotham dos corruptos, dos ricos! Das gerações de opressores que escravizaram vocês com o mito da oportunidade, e a devolvemos a vocês…o povo. Gotham é de vocês. Ninguém vai interferir. Façam o que quiserem. Comecem invadindo Blackgate (a prisão) para libertar os oprimidos! Aliste-se quem vai servir, porque um exército será criado. Os poderosos serão expulsos dos seus ninhos decadentes, serão jogados no mundo frio que conhecemos e sobrevivemos. Um tribunal será criado. Aproveitem os espólios. Sangue será derramado. A polícia sobreviverá, desde que aprenda a servir a verdadeira justiça. Esta grande cidade…sobreviverá. Gotham sobreviverá!

Eu fui até dar uma volta no quarteirão depois que eu soube disso, para ter certeza que não era loucura minha. Vamos começar do começo (first things first, dizem os gringos):

Um partido que defende: aborto, imigrantes ilimitados, ambientalismo, mais impostos e burocracia, feminismo, LGBT (não que esses dois em si são maus, não estou julgando esses movimentos aqui), restrições ao direito de defesa, é o que? Em todo lugar do mundo são partidos de esquerda que defendem a mesma pauta — essa aí. Basta comparar as propostas do PSOL e PT com a dos Democratas americanos, os Trabalhistas ingleses, etc.

Ser a base do capitalismo mundial não significa que não existe esquerda ou que ela é a minoria. Se vocês aprenderem a ler em inglês, podem pesquisar e comprovar: todas as modinhas que são as “polêmicas” da política brasileira hoje — LGBT, feminismo, racismo — começaram lá nos EUA. Até a mania de “ocupar” escolas e outros prédios públicos começou com um movimento americano chamado Occupy Wall Street[11].

Então, meu amigo, até em política nós pagamos pau de americano.

Só mais uma coisinha: a escola filosófica que criou a esquerda moderna (essa que vê opressão em tudo, que não fala mais de proletário, operário, etc, a esquerda PT, Democratas, DCE, coletivos, Mídia Ninja etc) é a Escola de Frankfurt. Foi criada na cidade alemã depois da 1ª Guerra, depois mudou-se para os EUA. De lá eles fizeram a cabeça do mundo, começando na “revolução” sexual de 1968[12].

5) Capitalismo é o mesmo que Direita (ou: existe “Extrema” Direita)

Militar alemão cumprimenta militar soviético na Polônia (1939)

Como estes dois tratam da definição de Direita, vou respondê-los juntos. E sinto lhe informar, mas Direita não tem nada a ver com o que você aprendeu na escola. Quer ver como eu tenho razão?

Seu professor de História (ou filosofia, ou geografia, ou qualquer um que fala da “Direita”) mencionou algum destes autores: von Mises, Hayek, Rothbard, Kirk, Muggeridge, Horowitz, Sowell, Babbit, Scruton, Peyrefitte, Jouvenel, Voegelin, Guénon, Nasr, Schuon, Lindblom, Rosenstock-Huessy, Rosenzweig, Kristol, Erik von Kuehnelt-Leddihn, Ortega y Gasset, Nelson Rodrigues, Roberto Campos, Joaquim Nabuco, Alexis de Tocqueville, João Camilo de Oliveira Torres, Gustavo Corção, Chesterton, Hilaire Belloc, Milton Friedman? Então ele não falou de Direita, muito menos de conservadorismo.

Se você for esperto, vai perceber que tudo que partidos esquerdistas defendem resultam numa única coisa: concentração de poder nas mãos do estado. Mais impostos? Mais estado. Mais leis? Mais estado. Proibição de andar armado? Mais estado. Um currículo único para todas as escolas? Mais estado. Cotas? Isso precisa de lei, ou seja, mais estado. É sempre assim, independente do grau de esquerdismo — PT ou PSOL — é o estado que fica mais poderoso e são as pessoas que ficam mais escravas.

E a Direita? Se você ler um livro de cada autor acima[13], vai perceber umas coisas em comum: a dignidade do indivíduo, que independe do grupo (ou partido, ou coletivo, ou classe) a que ele pertence; a responsabilidade do indivíduo, pois se ele tem dignidade, ele tem liberdade e não é uma pedra ou uma máquina, para agir sem pensar; a defesa de um estado pequeno, cuidando só do que é essencial, porque quanto mais o estado cresce, menos livres (e menos responsáveis) ficam as pessoas; a defesa da propriedade, que é a garantia de toda pessoa livre (se você não tem direito à propriedade, você é um escravo).

Então, quem aqui defende mais poder aos poderosos? E quem defende a liberdade de ser uma pessoa adulta, responsável por seus atos?

Para encerrar: “extrema” direita não existe. Seria apenas levar o pensamento de direita (responsabilidade individual, liberdade) ao grau máximo. Já o nazismo nunca foi “direita”. Você só pensa isso porque ele lutou contra o socialismo soviético[14]. Os próprios nazistas se chamavam[15] de nacional-SOCIALISTAS. Isto é, o nazismo era uma versão fechada, nacionalista, do socialismo — enquanto o socialismo soviético era global, não restrito a um país. Só isso. De resto, todas as medidas do governo nazista são típicas de ditaduras socialistas (Coréia, Cuba, China, etc): estado controla a economia, reprime opositores (mesmo aqueles que só pensam diferente), proíbe associações privadas (igrejas, grupos comunitários, etc), impede cidadãos de saírem do país. Onde que isso é Direita?


Espero ajudá-los a pensar. A realidade é muito mais complicada que um livro didático ou apostila (ou a versão da Globo). Eu, que amo História, percebi que raramente existe um lado certo e um lado errado, especialmente em Política. Assim como as pessoas, a História é a convivência do Bem e do Mal no tempo. Portanto, ao falar de História, precisamos antes de mais nada ser humildes, admitindo nossas fraquezas (e nossas preferências), para em seguida percebermos a Verdade.

Fiquem com Deus.


Notas:

[1] Outras pesquisas, conduzidas em países ocidentais, mostram o mesmo: entre 25–40% dos islâmicos desses países concordam com apedrejamento de mulheres e ataque suicidas em civis. Veja aqui:

http://www.breitbart.com/national-security/2014/09/04/myth-tiny-radical-minority/

[2] Pesquise sobre a Jyzia. Citações dos textos islâmicos (e de intelctuais islâmicos) sobre o imposto sobre os pagãos estão aqui: http://www.thereligionofpeace.com/pages/quran/jizya.aspx
[3] Antes que comece o choro, estou lendo a melhor biografia de Maomé em inglês — Muhammad, do Dr. Martin Lings.
[4] Baseados em Gênesis 9.4, Levíticos 7.27; 17.10–14, e Deuteronômio 12.25–28
[5] Na verdade, o próprio Islã criou um código legal, um tipo de “código penal religioso”. É a Sharia.
[6] Uma revolução militarista, de carater antirreligioso, transformou o país no fim da 1ª Guerra. Pesquise por Mustafa Kemal.
[7] O curioso é que o fato de você “pecar” no Islã pode ser perdoado se você morrer como mártir, isto é, pelo Islã. É por isso que muitos terroristas eram islâmicos liberais, como aquele cara de Orlando: frequentava boate gay e matou os gays.
[8] Eram os escolásticos tardios de Salamanca, na Espanha
[9] Outros livros que abrem os olhos sobre a Idade Média: A Idade Média que não nos ensinaram (Regine Pernould), Sete Mentiras sobre a Igreja Católica (Diane Moczar), Homens e Mulheres na Idade Média, A Idade Média e o Dinheiro, Os Intelectuais na Idade Média (todos do Jaques Le Goff, o maior medievalista do século passado), O Outono da Idade Média (Johan Huizinga).
[10] Essa expressão foi inventada pelos iluministas, que continuaram o ódio anticatólico dos primeiros protestantes.
[11] Para uma análise detalhada desses “protestos” brasileiros, incluindo suas raízes e seus apoiadores, leia Por Trás da Máscara, do Flávio Morgenstern.
[12] Um resumo do pensamento dos principais autores dessa Escola de Frankfurt está no livro Pensadores da Nova Esquerda, do Roger Scruton.
[13] Nem precisa de tanto. Leia Por que Virei à Direita (João Pereira Coutinho). Se quiser saber especificamente sobre o Conservadorismo (um ramo da Direita), leia A Política da Prudência (Russell Kirk) ou O que é Conservadorismo (Roger Scruton). São livros pequenos e bem fáceis de entender.
[14] Ninguém menos que Joseph Goebbels, o ministro da propaganda nazista, chama os nazistas de socialistas: Why we are socialists? Mostre ao seu professor de História. Disponível aqui: http://research.calvin.edu/german-propaganda-archive/haken32.htm
[15] No mundo soviético isso acontecia diretamente. No mundo fascista-nazista, o estado sindicalizava a economia, repartindo-a entre 2 ou 3 empresas prediletas. Não existia livre mercado. Veja: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=98. Veja também este vídeo de 05 minutos: https://www.youtube.com/watch?v=vD7cU7KFBow