O dia em que eu deixei de sentir medo
Quinta-feira, 06 de Setembro de 2018, o dia em que eu perdi o medo de declarar apoio a qualquer candidato. Sei que não devo satisfação a ninguém, tenho minhas liberdades assim como qualquer outra pessoa também as tem mesmo que eu não concorde, mas também me vejo de certa forma obrigado a me posicionar sobre o que vivemos atualmente.
A maior parte da minha vida fui totalmente apolítico, não dava a mínima pro assunto, votava por votar e estava pouco interessado se Lula, Aécio ou Dilma eram corruptos e quais cargos exerciam no poder, todos eram iguais ao meu ver. Até que certo dia percebi que umas das premissas para ser um cidadão é prestar um pouco mais de atenção em quem nos rege politicamente e consequentemente como sociedade. Política é intrínseca a nossa vida mesmo que não nos importemos com ela.
De uns 2/3 anos pra cá, comecei a abrir a mente e parar pra refletir até chegar a conclusão de que a política não é representada por dois lados iguais de uma mesma moeda, apesar de muito tempo eu achar que sim onde os dois maiores partidos faziam um rodízio de poder fingindo oposição, eram apenas irmãos gêmeos que se vestiam diferentes, um mais danado, outro mais comportado porém tinham a mesma essência. Percebi então que esse era um lado só dessa moeda, o outro lado era completamente distinto. Não, nem todos são iguais.
Vi o primeiro lado, tinham um discurso interessante confesso, mas bem demagogo, falavam sobre bem estar social, algo que agrada muita gente que quer melhorar de vida e vê no governo a salvação, muitas pessoas boas verbalizam isso com unhas e dentes, outras crêem veementemente, talvez por ingenuidade. Percebi então que a raiz de todo esse proselitismo disfarçado de preocupação com o povo não era nada bom.
Olhei mais de perto e vi que estavam cheios de ódio, como se alguém tivesse descoberto seu "plano de subversão social". De fato o tinham. Eles não gostaram nada disso. Tinham um discurso interessante de "justiça social" e "mais amor e menos ódio", algo que qualquer pessoa sã acharia válido, mas era algo que só se refletia internamente, não era algo compartilhando com resto da sociedade, escondia algo por trás, quem ousasse desviar um centímetro dessa linha era considerado o pior dos traidores.
Vi pessoas perseguirem outras em seu emprego fazendo-as perde-lo com base única e exclusamente na sua liberdade de escolher qual posição política tomar, vi mulheres levarem cuspida na cara, serem ameaçadas de estupro e espancamento, intimidadas e silenciadas única e exclusivamente por exercerem essa mesma liberdade. Vi declararem que negros tinham que voltar pro tronco, serem condenados a chicotadas, acorrentados ou "voltarem pra selva", referindo-se a eles como macacos simplesmente por usufruírem dessa mesma liberdade. Vi gays serem ameaçados por quem dizia defende-los.
Vi "intelectuais" que diziam ser "defensores dos pobres e oprimidos" atacarem exatamente a condição social e muitas vezes a falta de instrução de quem ousasse não pensar exatamente como eles queriam, serem humilhados por serem simples trabalhadores sem muito estudo mas com muita vontade de ver uma nação onde pudessem ter a capacidade de prosperar. Os vi serem tratados com despreso por quem sempre dizia querer o bem deles.
Vi pessoas achando completamente normal tratar sexualidade com uma criança da mesma forma que se trata com um adolescente em formação, expo-las ao erotismo explícito por mais lúdico e envolto em uma áurea "educativa" que pudesse ter com a desculpa de educar contra a violência, mas que em nada dizia respeito a isso, muito pelo contrário, normalizava e facilitava esse tipo de violência.
Vi uma juventude incapaz de arrumar a própria cama ou ajudar a mãe a lavar uma louça mas que queria uma revolução na qual, se essa se concretizasse, seriam os primeiros a serem descartados, visto que não passam de marionetes. Os vi se dividirem em grupos e em subgrupos, assim como um supermercado divide seus produtos, quando não tinham mais a quem odiar passaram a se odiar numa luta de egos infinita.
Vi a cultura, as artes, a classe "artística" e boa parte da mídia servirem ao estado e a uma elite política assim como uma prostituta serve a um marido traidor.
Vi um lado onde o deus era o estado e todos deveriam se curvar a ele, louva-lo, exalta-lo e declarar que ele era a solução para todos os nossos problemas. Vi exaltaram uma bandeira, uma ideologia, um plano de poder que poderia ser tudo, menos um plano de nação livre, onde individualidades pudessem ser respeitadas, onde existissem oportunidades que não as definidas por esse "deus".
Parti então para o outro lado, onde me deparei com uma bando de pessoas comuns, desorganizados, falavam todos ao mesmo tempo, onde a grande maioria, assim como eu, era completamente apolitica mas que também percebeu uma movimentação estranha, algo estava diferente. Resolveram então usar a voz que tinham por direito para criticar o lado oposto, com isso receberam toda a sorte de maldições como citei anteriormente. Não eram perfeitos e também não faziam questão de assim parecer, foi exatamente isso que me chamou a atenção, o reconhecimento de que o ser humano é imperfeito, todos tinham algo em comum, não era tudo, mas existia uma similaridade, porém ninguém era igual.
Nesse lado vi muita gente cansada, cansada de trabalhar 5 MESES do ano apenas pra pagar impostos, temos uma das maiores taxas do planeta mas nada suficiente pra nos tirar da categoria de "terceiro mundo", o retorno disso tudo não percebemos
Vi pessoas cansadas da violência, foram 62.517 assassinatos em um ano, a violência talvez infelizmente seja a única coisa democrática nesse país pois não poupa ninguém, o branco, o negro, o homem, a mulher, o hétero, o gay, o ateu, o cristão, o rico, o pobre, esse último sofre mais que todos pois está exposto a tudo seja no ponto de ônibus, dentro do ônibus, na porta de casa, na ida e na volta do trabalho, o que desmistifica a justificativa de a violência estar associada diretamente a desigualdade, o que é uma afronta a maioria trabalhadora do país, a violência não poupa nem as crianças. Somos mortos porque demoramos a desbloquear o celular num assalto, porque queremos terminar uma relação ou por qualquer futilidade. Vida já não tem validade, nem as leis tem. A impunidade é certa, a violência também.
Vi nesse lado pessoas preocupadas em deixar o filho na escola ou faculdade, com medo de entregarem uma pessoa e receberem outra com a mente subvertida a mando do estado que teima em fazer o papel de babá do filho dos outros, ensinado o que não é da sua competência.
Vi que que 60% dos jovens (da qual faço parte), se pudessem, deixariam o país sem pensar duas vezes.
Vi pessoas cansadas das mesmas soluções pra isso tudo que se resume naquela ladainha cansativa de "mais educação, saúde, segurança...", o que é óbvio, mas não dá pra esperar isso ter resultado daqui 10, 15 anos, precisamos de soluções pra ontem. Eu vi ódio também, ódio a tudo aquilo que nos levou a chegar onde estamos, ódio ao excesso de aparelhamento do estado, excesso de impostos, excesso de regulamentação, ódio a uma parcela mínima de bandidos mas que impede toda a população de ter uma vida minimamente digna, ódio a um sistema penal falido e enviesado, ódio a morte da cultura, ódio ao ódio que criaram contra tudo aquilo que fez essa nação permanecer de pé mesmo com tudo indo contra. O outro lado passou a chamar esse ódio de "incitação a violência", "discurso de ódio", "extremos". Nada mais era do que a reação contra aquilo que estava nos matando.
Mas no centro das discussões desse lado, além daquilo que nos aflinge como sociedade, tinha um cara, o típico "Tio do pavê", que faz piada desagradável e quando chega na sua casa pergunta quantas namoradinhas você já teve esse ano. Uma figura que demorou a me agradar, meio estourado, mas que quando resolvia falar sério dizia extamente o que a maioria das pessoas comuns diziam, sem demagogia ou sem filtro pra agradar ninguém, ou aquilo que muitas eram sufocadas para não falar.
Vi um cara que falou algumas besteiras a anos mas que o perseguem até hoje, o vi falar algumas bobagens confesso, longe de mim concordar com tudo que ele fala, mas o vi se desculpar. Vi ele falar umas verdades (mesmo achando que muitas foram ditas da forma errada), mas o vi moldar o discurso e era exatamente aquilo que reflete o que vivemos nesse país ultimamente, era tudo aquilo que a maioria de nós passa todos os dias. Era aquilo que nos levou ao buraco. Vi um amor enorme por essa nação como poucos, por um país que até então só o cuspiu.
Vi criarem um espantalho, um boneco de voodoo pra espetarem noite e dia onde usavam e usam incansavelmente toda frase, piada de mal gosto dita em momento inoportuno ou reação a uma injúria que é tratada como se fosse a reação a uma situação pra construir uma imagem de extremista, desequilibrado entre outras coisas. Vi todo um aparato midiático diaposto a disseminar todas essas idéias, dispostas a distorcer e editar falas pra caber na sua narrativa mas nada que ao meu ver o definisse. Vi o rotularem com os adjetivos mais horrendos, vi um ódio cresente, os sentimentos mais mais terriveis que um ser humano pode ter por alguém.
Nazista? Não vejo alguém como ele se comparar a Hitler que uma das primeiras coisas que fez no poder foi desarmar a população e invadir as propriedades de judeus que ele julgava pertencer ao estado ou por considerar os donos indignos de possui-las da mesma forma que um certo lado fez.
Fascista? Não o vejo colocando o estado como mediador e influenciador em diversos aspectos do nosso cotidiano, sindicalismo operando sobre as vontades de uma empresa ou criando um exército paramilitar, como faz o outro lado (seja armada com foices e machados ou com uma língua e discurso mais afiados que uma espada). Não o vejo se colocando como um líder acima das leis, acima do povo, acima da ordem onde o estado e o partido se fundem em um só como um certo lado assim o fez.
A verdade é que já vivemos o fascismo a muito tempo, mas ele foi maquiado e hoje aqueles que o utilizaram o chamam de "democracia" e se declaram "anti-fascistas" criando novos significados a palavras que o definem pra atacar um oponente.
Vi ameaças contra esse lado, vi ameaças de linchamento, espancamento, estupro, MORTE. Vi muitas vezes essa ameaças se tornarem realidade, vi humilhação contra homens, mulheres, até criancas, vi sangue. Hoje vi a morte, um golpe de faca que foi direcionado no peito mas que por sorte atingiu o abdome, o abdome de muitos, a alma de todos, incluse daqueles que quase já não a tem.
Vi que aquele discurso de "justiça" era só um disfarce, que pra eles só era era possível conquistar o poder de novo se houvesse "derramamento de sangue", frase famosa naquele lado, vi que nenhuma daquelas ameaças eram ditas da boca pra fora, era um desejo, uma vontade verbalizada noite e dia pelos súditos do outro lado. Descobri de onde vem o discurso de ódio, a incitação à violência, a vontade de silenciar, de calar um opositor, seja derrubando um avião, matando um ex aliado, ou com um facada no peito, já que com idéias isso se tornou impossível. Foram descobertos.
Naquele dia eu também levei uma facada, mas não morri, pelo contrário, eu revivi, deixei de sentir medo de falar, deixei de ter medo de sair na rua e levar uma facada por declarar um voto, deixei de sentir medo de denunciar tudo que eu acho imoral na nossa sociedade, tudo que eu acho que pertence ao nosso atraso.
Essa facada me abrou os olhos, os da mente e os da alma. Me libertou de um silenciamento, minha ideias e convicções continuarão as mesmas, independente de quem venha a representa-las, independente de se um dia eu vir a me decepcionar com esse cara, independente de se um dia ele passar a não condizer mais com aquilo que me fez convencer de que ele é era o melhor para o momento, um dos meus lemas de vida é nunca idolatrar seres humanos, nunca colocar nenhum deles em um pedestal, assim continuarei sendo, mas hoje deposito minha total confiava, respeito, admiração, por alguém que literalmente deu o sangue por esse país.
Não escrevi nada disso pra fazer campanha ou pedir voto, não faço isso nem para os meus pais que convivem comigo, mas porque me vi na obrigação de externalizar tudo que eu vi e tudo que me fez olhar a coisas da forma que vejo hoje. Assim encerro dedicando meu total apoio a Jair Messias Bolsonaro.
#ForçaCapitão 👮👉👊
