Portugal bate em talento o Leste da Europa

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Portugal classificou-se no 17º lugar no ranking internacional de desenvolvimento, captação e retenção de talentos altamente qualificados. Ficámos bem acima de países que são frequentemente apontados como nossos concorrentes diretos na prestação de serviços qualificados, especialmente nas áreas das tecnologias de informação. Refiro-me concretamente à Polónia (38º lugar), Roménia (56º), Bulgária (57º), Hungria (49º) e Ucrânia (48º). À frente de Portugal classificaram-se apenas 12 países nórdicos e do centro da Europa, EUA, Austrália, Singapura e Canadá.

O estudo “IMD World Talent Ranking”, publicado desde 2014 pelo World Competiveness Center sediado na Suíça, e que abrange 63 economias do Mundo, é um excelente indicador das razões porque numerosas empresas internacionais têm vindo a escolher o nosso país para a instalação de centros de competência e de serviços nearshore.

De acordo com a organização, o desempenho dos países no “IMD World Talent Ranking” depende de três fatores:

Investimento e Desenvolvimento — mede os recursos comprometidos com o cultivo de capital humano local

Atração — avalia até que ponto um país atrai talentos locais e estrangeiros

Prontidão — quantifica a qualidade das habilidades e competências disponíveis no país

Se compararmos o ranking deste ano com o do ano passado, Portugal ultrapassou na tabela países como o Reino Unido, Irlanda, Israel, Nova Zelândia, Hong-Kong, Qatar e Taiwan.

O estudo prova, de forma inequívoca, que a competitividade dos recursos não está apenas relacionada com o custo do trabalho. Esse é apenas um dos fatores. Com 19.069 dólares anuais, Portugal tem o salário médio mais elevado dos cinco países europeus considerados principais destinos de serviços especializados: Polónia (14.303$), Hungria (12.168$), Roménia (9.424$), Bulgária (7.891$) e Roménia (3.728$).

Aliás, o estudo aponta mesmo o custo da mão-de-obra, a par da formação profissional, da experiência internacional e da mobilidade estudantil, como sendo as maiores fraquezas comparativas de Portugal. Nas forças são apontadas as competências linguísticas (5º lugar no ranking global), as competências profissionais (8º), a formação em gestão (8º), a percentagem de força laboral feminina (5º) e a despesa pública com a educação por estudante (3º). Ressalvo ainda que aparecemos na 19ª posição na avaliação do custo de vida e na 21ª na classificação da qualidade de vida.

A principal conclusão que tiro deste estudo é que a nossa competitividade para desenvolver, atrair e reter talentos reside num conjunto de fatores que tem a ver com a competência dos nossos profissionais, mas também com o ambiente e a qualidade de vida oferecida hoje pelo nosso país.

Isso coloca-nos numa posição privilegiada para continuar a atrair para o nosso país centros de competência e serviços de qualidade de grandes empresas internacionais. Ao fazê-lo, vamos continuar a desenvolver as nossas competências, a conseguir experiência internacional em projetos complexos e, por consequência, a reter e captar recursos internacionais. Sim, para nos desenvolvermos precisamos cada vez mais de atrair talento internacional para vir viver e trabalhar em Portugal.

Devemos agir a nível global com o objetivo de prosseguir o nosso desenvolvimento local, que é aquilo que não me canso de repetir:

Act Global / Dev Local — Acting Globally to Develop Locally.

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Entrepreneur | Early Stage Investor | Startup Advisor | Business Strategist | Acting Globally to Develop Locally

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