Ás vezes parece que a vida fica me forçando a escrever. Porque na verdade, eu não quero escrever. Desde os 12 anos que eu não quero mais escrever. Porque antes disso eu não dava muita importância a escrever, sabe toda essa importância que as pessoas dão, eu só nem notava. Era como se fosse andar de bicicleta, ou respirar, algo que você simplesmente faz, entende? Mas aí vem a adolescência e te faz sentir vergonha de ser exatamente quem você é, e você vai escondendo partes de você, eu não sei qual o motivo, meu Deus eu não sei qual o motivo, estou tentando entender. Eu sinto que as pessoas não gostam de mim, aquele olhar delas que faz a gente se sentir esquisita, pequena, insignificante… E mais, todos riem de quem escreve mesmo, nós somos piada, riem até da Clarice Lispector (Eu tenho provas). Até da Clarice. Mas então eu não sei explicar porque a vida fica me maltratando para que eu pare e fique pegando o que eu penso e colocando em palavras, juro que me esforço muito mas a vida joga mais e mais pedras e espinhos e flechas para me atingir e me deixar sentindo uma agonia no peito que me traz aqui de novo, eu venho caminhando cansada quase sem força porém encaro de frente e não choro, sabia, eu não vou chorar. Hoje eu quero deixar as palavras pra trás, quero arrancar essa coisa que eu não sei o que é mas que me liga a elas e eu não sei porque!!! Eu não sei!!!
E quero também abandonar uma coisinha boba que eu gosto desde criança, que é a Astrologia. Eu costumava me sentir a garota mais incrível do mundo. Eu não me achava igual aos outros. Ninguém é igual a ninguém. Mas eu acreditava num detalhe que justificava as pessoas ao meu redor serem tão diferentes de mim: meu signo astrológico. Na minha casa mesmo, ninguém além de mim tem o meu signo. Eu lia todas aquelas qualidades bonitas de quem nascia no período e acreditava que era isso: minha personalidade tinha sido definida pelas estrelas. Eu procurava textos na internet e descobria sempre um famoso que fizesse parte do meu grupinho que a astrologia afirmava que fazia sentido. Imaginava que algum dia quem fosse do mesmo signo que eu viriam me buscar em uma nave e me levar para o nosso planeta; onde todos eram gentis e românticos. Eu era uma menininha boba. Na adolescência, eu pesquisava sempre sobre famosas do meu signo para analisar se tínhamos mesmo personalidades parecidas. Eu as achava incríveis e ficava tão feliz de saber que elas existiam e tinham ótimas vidas. Teve uma coisa que só percebi um dia desses: ver mulheres que segundo a astrologia tinham personalidades parecidas com a minha felizes e sendo elas mesmas e acho que principalmente amadas e admiradas me fazia acreditar que um dia eu poderia pelo menos não ser esquisita, que talvez eu me encaixasse em algun lugar e as coisas ficariam em paz, porque você sabe, ser amada já é um sonho tão alto que ninguém diz para não parecer tola. Começo a perceber porque falei dessas duas coisas, escrita e astrologia, porque lembro de uma entrevista em que uma escritora diz que sua vaidade é querer ser lida, e eu também tenho as minhas. E eu odeio vaidade, acho inútil. Essas duas coisas me faziam sentir importante. Sabe uma página do Diário de Anne Frank que ela agradece por Deus ter dado um dom a ela, é exatamente disso que eu to falando. Eu nunca li O Diário de Anne Frank, só algumas partes que vi na internet. Eu li pouquíssimos livros ou livros insignificantes até agora na minha vida. É por isso também que não quero escrever. Para escrever tem que ler muito, ouvi dizer. A realidade me machuca muito, é isso. A vida usa das nossas vaidades para nos ferir.
Adeus, Astrologia.
Adeus, as palavras que surgem de mim por um motivo que eu nunca consegui entender, mas fica assim.