Crônicas de uma vida [Parte 1]

Foi. Lá pra outras tantas da vida não havia mais motivo algum para comemorar e ele já sabia disso. “Por que tanta tragédia, meu pai?”, esperando, pela inocência ou desespero, não se sabe, uma resposta para o caminho tortuoso que sua vida tomara de uns tempos para cá. “Não sei o que está acontecendo, não sei se aguento mais”, desta vez num sussurro.

Sabe, é difícil aceitar que as coisas podem não ser como planejadas naquele dia bonito de outubro, afinal, ninguém faz plano quando o dia está cinza. É inaceitável. Planos devem ser feitos quando tudo flori em rosas vermelhas, o resto pode vir quando a coisa fica feia, tudo bem ser assim. Enfim, às vezes a festa acaba tarde e o trabalho começa cedo, mas que diferença isso faz? Ele se cansou de ouvir que a vida é uma aventura, meio que não se decidiu se gosta de tanta agitação. As pessoas gostam do sossego, né? Aquela sensação maravilhosa do lençol recém trocado, do colchão fofinho e do cheirinho de amaciante.

As pessoas gostam de paz. Mas qual paz você almeja? Até por que todo mundo sabe que tipo de paz é o que não falta. Paz de espírito, paz da conta do banco, paz no casamento, paz na trapaça, trapacear em paz. É um leque, entende? Pois bem, falando por ele, portando sua voz, digo que prefiro a paz de saber que tudo foi feito como deveria, da paz da consciência que se recusa a ser omissa, da paz de não deixar passar nada daquilo que poderia ter sido e não foi ou até mesmo que não deveria ser, mas foi incrível. A gente tolera muita coisa ruim pelo simples fato de se acostumar com a ideia de que a gente não merece, a gente se pune porque acredita não ser capaz. Uma dose mais forte e lenta, como diria Bituca. A gente sobrevive todo dia como se fosse estar ali pra sempre e esquece que nem sempre poderemos estar… e não estaremos. As coisas mudam, sabe?

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