Mãe

Ela é do tipo que fala. Mas fala. Do tipo que ainda me diz pra pegar um casaco, pra não andar de pé no chão, pra não deixar calcinha no box. Diz que eu não consigo dormir a noite por causa dos programas que vejo. Que eu não posso comer bolo quente. É do tipo que inventa palavra. Que usa palavras que nem as pessoas centenárias usam mais. Do tipo que conversa com as plantas, que cuida dos netos de quatro patas enquanto eu cresço lá fora. Ela tem um jeito que minhas amigas adoram. É do tipo que passa vários dias arrumando a casa, se eu convido alguém pra visitar. E com sorriso no rosto. Ela faz comidas, muitas comidas e sempre maravilhosas. Ela é do tipo que é difícil conseguir emagrecer, vivendo juntas. É dessas que reclama que está gorda fazendo um bolo de chocolate. Que reclama que saiu mal nas fotos. Dessas que poderia se alimentar somente com pizza.

É dessas que é psicóloga como profissão e nas horas vagas também. Ajuda, interpreta, ajuda mais um pouco, recorta texto, manda frases, manda vídeos. Manda mais vídeos. E realmente ajuda. Realmente exerce a profissão que escolheu. Ela é dessas que quer ajudar todo mundo. Que não importa a conta bancária no vermelho, tá sempre disposta. Ela é dessas que acredita. Que tem fé na vida. Que ri. Que abraça e reclama que eu não abraço. Que não gosta que mexam na cozinha dela. Que junta muita coisa. Que de vez em quando escuta umas vozes, vê uns vultos, mas de boa. Que pergunta muito. Que repete muito. Que tem sempre que arrumar a casa. E a arrumação nunca chega ao fim. É dessas que quer morar no Rosa num dia. Em Gramado, no outro. Que quer abrir um café. Um brechó. Uma loja de artesanato. Dessas que quer um lugar pra colocar os bichos resgatados. As plantas resgatadas. Sim. Minha mãe tirou troncos da rua porque sofreu com o corte da árvore aqui da frente. Chorou ao ver uma borboleta ser atropelada e me repetiu essa história algumas vezes. Uhum. Ela é do tipo que detesta quem fere um animal. É vegetariana. Mas se tem algo que faz o sangue ferver é ver um cupim. Meu deus. Tenho pena desses animais. Esses ela mata com sangue no olho.

Ela é Mãe com M. É aquela loba que cuida dos filhos com unhas e dentes. É aquela que me transmitiu esse instinto feminino. Que me ensina todos os dias como eu quero ser quando for minha vez de comemorar esse dia.

Na verdade existem mais mulheres que me ensinam diariamente como quero ser. Mulheres que me passaram valores, sentimentos, sabedorias. Mulheres que eu sei que posso homenagear nesse dia, pois fazem o mesmo “trabalho” que as mães fazem. Tenho vó-mãe e tia-mãe.

Por isso meu Feliz dia das Mães vai para todos aqueles que fazem esse papel. As mães-mães, os pais-mães, as tias e tios-mães, os avôs e avós-mãe, os irmãos e irmãs-mães, os vizinhos-mães. Independente do nome, parabéns para todos aqueles que dão o afeto, apoio, educação e ajudam a formar o caráter de outro ser humano. 💐