Sabe que eu fiquei bem triste pelo fato de tu não ter me dado feliz aniversário? Achei que era básico, depois do que vivemos e sentimos. Mas como mil vezes eu fiz, justifiquei pra mim e pra quem me perguntava… “ah a gente combinou de não se falar mais até estarmos melhor”. Mesmo assim eu sabia que isso não tinha sido legal. Eu esperei muito uma mensagem tua. Porque? Porque eu continuava a acreditar naquele sentimento. Não tô falando em voltar a ficar juntos, mas naquele sentimento que a gente disse, um para o outro. Enfim meu dia passou e tua mensagem nunca chegou. Tudo bem. Eu ainda encontraria justificativas. Justificativas que eu criei baseadas nas coisas que tu me falou. Fiz isso durante todo o tempo que ficamos juntos. Fiz isso como resposta à minha intuição que dizia que algo estava errado ali. Deixei isso quieto por mais que às vezes ela gritasse comigo.

Porque? Porque o “nós” estava bom. Eu estava feliz e tu era quem eu sempre procurei, mas com questões pessoais que justificavam algumas atitudes.

Ok. Lidarei com isso. Me disponho a lidar com isso.

Investi muito.

Psicologicamente investi muito. Tentei muito. Busquei muito. Acreditei muito.

Não deu… ah como doeu! Noites que eu dormia de tão cansada de chorar pela tristeza do acontecido e pela tristeza de não viver tudo o que a gente tinha planejado. Tudo aquilo que tu tinha me proposto. Que injustiça dessa vida, eu pensava. Fui me conformando… lendo muita coisa pra tentar fazer isso acontecer. Li um texto que dizia que às vezes não ficamos com o amor da nossa vida, pra tentar esquecer o outro texto que dizia que se “ele quisesse mesmo, estariam juntos”.

Acreditei nesse primeiro texto. Acreditei que tu era o amor da minha vida. Achei que a gente era esse caso… um sentimento que não morreria. Porque? Porque achei que era verdade que eu tinha sido algo diferente pra ti. Porque levei a sério tudo o que tu me disse. Todos os convites. Todas as palavras escritas.

E então me deparo com a foto tua e do teu novo “amor”. Tipo o que tu fez comigo. Até imaginei o que tu disse à ela.

Veja só. O que houve com tudo aquilo que tu me dizia? O que houve com o significado daquele texto que tu disse que leria no dia em que a gente casaria? Com toda aquela grandiosidade de sentimentos que tu tinha por mim? Jogou fora?

Não precisou.

Nunca existiu.

Ah como agora eu enxergo as coisas! Como fica claro! Porque tu age como tu age. Simplesmente diz que vai embora e não demonstra um pingo de nada! Confesso que eu fiquei muito impressionada com a tua calma. Mas não era calma. Claro, onde tem sentimento aí? Não tem. Tu cria um personagem e monta essa vida pra fazer com que a gente caia. Eu, uma pessoa de verdade, acreditei no que tu me dizia. Acreditei que tu queria casar comigo. Acreditei que tu era uma vítima da tua família e dos teus outros relacionamentos. Tive empatia. Achei que pudesse fazer algo por ti e então seriamos o par que tanto tu falava.

Mas entre cada palavra bonita tinha a falta da verdade. Muitas vezes eu achava que não fechava o que tu dizia e fazia, mas achei melhor não olhar muito pra isso, também. Deixei quieto. Porque eu tinha entendido que a gente não era pra ser. Mas que o sentimento em nós ainda permaneceria. Que a minha alegria e carinho ao lembrar de nós ainda existiria. Que o meu carinho e sentimento por ti jamais morreria. Eu acreditava na nossa ligação. E, que por mais tempo que passasse, ela iria continuar. Até que ontem chegou e tudo isso desabou. Coincidência ou não, o dia em que é publicado que Sense 8, “nossa série”, chega ao fim.

Eu vi esse filme acontecer comigo. Quando tu postou nossa primeira foto a tua ex já tinha visto esse filme. Sabe-se lá quantas já não viram esse filme. Eu sempre soube q tu tinha me mentido sobre quando tu tinha terminado com essa ex. Eu sei q foi muito pouco antes da gente começar a sair. Justificava dizendo pra mim mesma que devia ser desconfortável dizer que fazia tão pouco tempo. Mas né, quem manda no coração? A gente se apaixonou rápido assim… aham. Quanto tempo vcs ficaram juntos afinal? Não sei. Mas sei que tu não falava sobre. Sei que tu dizia que não contava esse relacionamento. Imagino tu dizendo a mesma coisa para teu novo “amor”. Que tu não conta nosso relacionamento. Foi muito pouco. Aquele dia eu te perguntei se eu tinha servido como esquecimento pra tua ex e tu disse que eu estava “louca”.

Será?

Será que tu tem esse poder sobrenatural de esquecer em um mês alguém que significou “tanto”? Ou tu não sentiu o que tu dizia sentir?

Me pergunto quantas mentiras existiram. Me pergunto se quando eu não estava contigo tu ria disso tudo. Me pergunto quando foi que tu viu que eu serviria pra isso. Me pergunto o que tu diz aos teus amigos e o que eles dizem. Me pergunto se alguém já te disse tudo isso que eu te digo é já te disse. Me pergunto se há a possibilidade de algo em nós ter sido verdadeiro da tua parte. Me pergunto se tu é o exemplo de homem que tu gostaria pra tua filha.

Tu não teve responsabilidade emocional. Tu poderia ter me deixado com algo bom, ao menos. Sobre ti, sobre nós. No momento me sinto uma idiota por ter acreditado. Me sinto idiota por ter te amado até ontem. Por ter sofrido a falta da tua lembrança no meu aniversário enquanto tu procurava a próxima da tua lista. Isso vai passar, eu sei… afinal eu não sou descartável. Eu sou de verdade. Eu sinto de verdade. Eu amo de verdade. E isso, ah! isso, minha consciência tá tranquila.

Pena tu fazer as coisas desse jeito. Eu não sei pq tu age assim. Tu não sabe lidar com alguém gostando de ti. Tu tinha isso em mim, mesmo de longe. Mas a vida é feita de escolhas… e uma coisa eu aprendi: a gente não é responsável pelo que fazem com a gente, mas é responsável pelo que faz com isso. Pode ter certeza que eu aprendi muito. E, quando essa decepção diminuir eu vou resgatar o que pra mim e de mim foi verdade e foi bonito. Te agradeço por ter me tirado da tua vida antes que eu me machucasse mais.

Me despeço de ti torcendo para que um dia tu possa sair desse mundo tão raso que tu criou.