Joana, sua história de vida é muito representativa mas não pelos motivos expostos.
Fábio Braga Vasconcelos
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Oi, Fabio, tudo bem? Só vi seu texto agora. Pois bem, os negros no Brasil estão em posição inferior. Posição essa que existe, pois o país, as políticas públicas, a polícia, o Estado são racistas. Por exemplo, as mulheres negras recebem menos anestesia em hospitais públicos, as mulheres negras morrem mais no parto e sofrem violência obstetrícia, são as que são mais estupradas, as que mais morrem em decorrencia de aborto, as que mais são agredidas pelos seus maridos, as que menos estudam, são as que mais são assassinadas e, os homens negros, quando chegam a virar homem, pois o Estado os assassina com a polícia que temos, quando ainda são crianças, tem a expectativa de vida muito menor do que um homem, ou mulher branca.

Classe entrega raça e raça entrega classe. Não existe falar de mudanças sociais neste país sem que se fale de raça e por quê? Por que a maioria dos pobres no Brasil é negra, a maioria dos moradores de rua, indigentes. Outra coisa, como a maioria é negra e é extremamente dificil ascender socialmente, existe, sim uma diferença cognitiva: seja por uma alimentação de pior qualidade, seja por escolas defasadas. Mas graças as cotas foi possível aumentar o número de alunos no ensino superior. Esses alunos que chegam até o ensino superior, entretanto, continuam em cargos de subalternidade, são pouquissimos os negros e ainda menos negras, algo que não chega a casa do 1%, que tem cargos de alta chefia nas empresas. Se isso não é racismo estrutural, sinceramente…não sei o que é.

Eu conto a história da minha avó por achar que ela fez um movimento e não fez sozinha, veja bem. Essa história que eu conto é um apanhado de várias histórias, é literatura, não é um documentário. Mas se fosse, eu falaria que minha avó era a única negra numa família de irmãos brancos que levaram minha mãe para as suas casas para que ela pudesse sair do suburbio e tivesse uma educação melhor. Essa mesma avó, apesar de ser a mulher mais inteligente que já conheci, foi obrigada a ser empregada doméstica aos 11 anos, mas por que isso aconteceu? Por ser uma mulher negra.

Também não falo dos racismos que minha mãe, eu, minha irmã tivemos que passar dentro de lugares por sermos negras. Apesar de, muito possivelmente, sermos muito mais competentes que muitos homens brancos. Mas a minha mãe, por exemplo, já com mais de 50 anos, sendo o maior nome na sua área de pesquisa e com doutorado de uma universidade internacional, teve que ouvir que não tinha cara de doutora por ter cabelos crespos.

Me sinto profundamente incomodada em ver um homem branco, cheio de privilégios apontar para pessoas negras que o Brasil não é um país racista. Aconselho que você procure mais informações, olhe mais para rua e os espaços que anda.

Obrigada por gostar do meu texto. Um forte abraço.

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