O Harry Potter esgotou

O novo livro do Harry Potter esgotou antes de eu conseguir trazê-lo para casa. E nem se pode dizer que tenha deixado passar muito tempo. Fui no próprio dia do lançamento, mas ao final da tarde, e os livros já tinham voado.

Desde então já corri todas as livrarias que consegui encontrar e a resposta é sempre a mesma: esgotou.

E eu estou ansiosa. Não vou conseguir descansar enquanto não tiver o livro nas minhas mãos.

O meu marido olha para mim como se eu fosse um alien. Incapaz de perceber qual a relevância deste livro em particular e, em geral, dos livros do Harry Potter.

Eu explico.

Para mim, as personagens de qualquer livro tornam-se minhas amigas. Conheço-as. Sei o que pensam, como agem, o que gostariam de alcançar e o que sentem. Muitas vezes fico a conhecê-las melhor até do que muitas pessoas reais.

Com os livros do Harry Potter este fenómeno atingiu, para mim, o seu máximo.

Foram sete livros e muitas páginas a conviver e a crescer com as personagens. Acompanhei as aventuras, mas principalmente os sentimentos e as emoções — tantas emoções. Da tristeza profunda sentida com a morte de um amigo, à alegria esfusiante da superação de um obstáculo. Da raiva pela maldade existente no mundo, ao sentimento de união por uma causa. As emoções sentidas pelas personagens foram sentidas também por mim. Chorei, sorri, ri, irritei-me e também eu cresci. Li o primeiro livro com 14 anos e o sétimo com 22 anos. Fui crescendo, pois, em conjunto com o Harry, a Hermione e o Ron.

E uma coisa fantástica é que a seriedade dos livros e a maturidade necessária para os ler também vai evoluindo, crescendo com as personagens. O primeiro livro é um livro de aventuras — qualquer criança de 11 ou 12 anos pode lê-lo. Mas os últimos são de uma densidade notável. Tudo é mais sério, mais perigoso, mais profundo. Há pessoas que morrem. É preciso alguma maturidade para ler os últimos livros.

E não é só uma questão de emoções. Os livros estão construídos de forma magnífica. Com humor e uma imaginação transbordante.

Como miúda, a mensagem que me ficou foi que podemos imaginar tudo o que quisermos, sem limites, e que isso pode ser extremamente divertido.

Ler agora um novo livro é como rever um grupo de amigos, com quem não se está há alguns anos. E tive muitas saudades deles!

Estou ansiosa por saber onde a vida os levou, se estão bem e o que andam a fazer. Estou ansiosa por mergulhar naquele mundo e matar saudades de Hogwarts e de todos os maravilhosos feitiços que dariam tanto jeito neste mundo. Accio e o comando da televisão vem até nós sem termos de nos levantar, botões de transporte e num segundo estamos do outro lado do mundo. E se nos chateiam por andarmos obcecados com o novo livro do Harry Potter: Expelliarmus.

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