Ser um Linchpin

Ando ligeiramente obcecada com o Seth Godin. Desde a ideia de que devemos estar constantemente a experimentar novas coisas (Poke the Box) às suas ideias acerca da educação nas escolas.

Mas hoje apetece-me falar sobre o Linchpin. Uma criatura notável, bem apresentada e descrita no livro com o mesmo nome.

Um Linchpin é alguém que se torna indispensável no sítio onde trabalha ou naquilo que faz.

A escola, hoje em dia, está pensada para ensinar essencialmente uma coisa: obediência. Chegar à hora devida, fazer o que o professor diz, obedecer às regras da escola, estudar o que sai para o exame. E, portanto, no fim, é isso que temos: jovens que sabem obedecer, trabalhadores que obedecem. Mas se isso era útil na época em que a maior parte das pessoas trabalhava em fábricas, hoje serve de pouco.

A mentalidade da obediência continua a ser preponderante. Ter um emprego significa fazer direitinho o que nos mandam fazer e receber um salário por isso. Nem mais nem menos. Mas assim, ninguém vai reparar que ali estamos. Resignamo-nos a uma vida profissional mediana.

Ao invés, podemos fazer como o Linchpin. O Linchpin nunca passa despercebido e nunca é mediano. Em qualquer coisa que faça é notado e torna-se indispensável porque não se limita a obedecer: cria arte.

Criar arte não significa pintar quadros ou compor música. Em qualquer coisa que façamos podemos ser artistas se, em vez de nos limitarmos a ser passivos, optarmos por ser ativos, por criar coisas. Sejam novas soluções, sejam interações positivas com outras pessoas. Nas palavras do Seth “An artist is someone who uses bravery, insight, creativity, and boldness to challenge the status quo”.

E não estamos também a falar de empregos empresariais de topo. Este conceito aplica-se a absolutamente todos os empregos ou trabalhos. Em qualquer situação podemos ser medianos ou indispensáveis. No livro há o exemplo do empregado de um café que ao ver uma fila de pessoas para a casa de banho se aproxima para informar que há outra casa de banho no andar de cima. É claro que ele não precisava de dar aquela informação; não estava nas instruções que tinha a cumprir. Mas ao fazê-lo, ao estar atento e ao dar importância ao que o rodeia, fez a diferença na experiência daquelas pessoas como clientes. Criou uma interação diferente da que é estritamente esperada dele. Tão simples quanto isto.

Um Linchpin não procura uma solução que seja boa ou perfeita. Procura uma que seja “notável, não-linear, game-changing”.

Eu quero ser um Linchpin.