O Brasil que eu quero para o Brasil
Acredito que, ao menos um vez, todos tenhamos ouvido a famigerada frase: Brasil é o país do futuro. Esse jargão carrega consigo um otimismo invejável, uma esperança quase que improvável. O que leva a outro mantra popular: “Brasileiro não desiste nunca”. Imediatamente somos levados a cantar: “Sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor!”.
Na pátria das frases feitas, creio que em cada um de nós reside um pouco desses sentimentos. Mas mora também muitos outros que fazem um contraponto e carregam ressalvas válidas.É dado ao brasileiro uma natural felicidade, uma alegria retumbante que no princípio até é verdadeira, mas aprofundando um pouco, chegaremos nas mais diferentes contradições.
Ao longo da nossa tenra história muitos tentaram definir a nação, e principalmente, o que é ser brasileiro. Entre capítulos tristes e conquistas cada um a seu um jeito e forma tentou. Registros foram feitos sobre o que cada um enxergava como realidade. Outros escreveram o que não viam e alguns o que gostariam de ver. De Machado á Racionais. Homens e mulheres eternização em suas diversas formas seu Brasil. Hoje através das lentes dessas pessoas podemos ver o que fomos, o que somos e pensar no que podemos ser.
Em meio as ida e vindas, avanços e retrocessos ganhamos uma ferramenta excelente, as rede sociais. Com elas descobrimos o poder incrível de poder ser visto e ouvido por um número inimaginável de espectadores em todo mundo. A falta de espaço que por muito tempo impossibilitou a diversidade de representatividade, hoje vive em outro estágio. Com pouco é possível expor suas ideias, trabalhos e voz. Esse texto, nesta página, é exatamente isso.
Diante desses incríveis avanços tecnológicos, acessível às diversas classes sociais foi descoberto algo paradoxal. Nem todos estão no século XXI. Através do comportamento virtual dos indivíduos foi notado esse fenômeno comportamental que atinge hoje as sociedades. Existem aqueles que estão preso no século XX, outros no Século XIX. Eles vivem, pensam e enxergam o espaço/tempo/realidade ao redor com um filtro temporal míope.
Não se trata de uma conclusão fácil, muito menos simples. Isso não nasce na modernidade mas ganha força e aos poucos afetando de maneira íntimas e irreversíveis um grande número de pessoas. Outro questionamento pertinente é sobre a consciência dessas pessoas sobre si mesmo e suas ações. Muitas delas desconhecem serem estrangeiras temporais. Isso reverbera além do online.
Esse cidadãos ganham cada vez mais espaço. Exemplo disso pode ser visto recentemente. Alguns acontecimentos mexeram com o dia-a-dia dos cidadãos comuns no Brasil. De paralisações apocalípticas, passando por prisões e não prisões de figuras do cenário político, debates e assassinato de mulheres. Em meio a isso, houveram oportunistas que levantaram cartazes, com escritos em inglês e português pedindo uma intervenção militar. Outros aproveitam a inocência de conhecidos para espalhar fake news. Por conta dessa confusão cognitiva/realista essa diminuta parcela querer impor a qualquer curso retrocessos, chamando-as de melhoria ou avanço.
Ainda hoje é difícil para essas pessoas enxergarem que vivemos numa democracia, conquistada a muito custo por pessoas que nem estão mais entre nós. Além do mais, melhor estar em uma democracia imperfeita, onde os idiotas também são ouvidos do que estar numa ditadura onde só os idiotas são ouvidos.
Esses senhores e senhoras travestidos de homens de bem escondem nas melhor das intenções desejos violentos, egoístas e preconceituosos. Nota-se que o avanço para essa parcela da população reside no passado, na perda de direitos e na exclusão das minorias. São eles que fazem a nação brasileira caminham para trás, em nome de uma falsa sensação de segurança e poder. Para elas é difícil entender que o mundo muda desce seu princípio. Essas mudanças estão mais rápidas, quase imperceptíveis aos olhos abertos, que dirá aos que se orgulham da cegueira.
Vivemos uma época difícil, onde a fogueira de uma nação criam seus próprios monstros. Fica difícil não se espantar com a criação de espantalhos e criaturas grotescas que vendem ideias fracas e discursos primitivo. Á essas pessoas digo: Não é preciso concordar com nada que soa estranho ou diferente, mas é preciso, acima de tudo, respeitar. Não é preciso estar disposto a discutir sobre algo, mas é preciso saber que não é impor suas verdades e preceitos a qualquer custo que chegaremos a algo melhor. Não é dando voz aos instintos estúpidos e usando de violência que conseguiremos avanços reais. Não é vestindo todos com as mesmas fardas que teremos dias melhores, mas sim armando a população com uma melhor educação, liberdade e muita arte que chegaremos a igualar todos no mesmo período temporal.
Quem sabe assim conseguiremos ter não um país do futuro, mas sim um país presente e mais justo com seu povo.
Esse é o Brasil que eu quero para o Brasil.
