Eis a cura certeira para a “coronafobia”!

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Photo by engin akyurt on Unsplash

Por John Horvat II, Return to Order — Tradução: G.F./J.P. | O coronavírus domina as notícias em todo o mundo, provocando uma histeria raramente vista em tempos modernos. Embora o vírus ainda tenha de mostrar sua fúria em forma plena, a reação a ela tornou-se louca. Dois espetáculos estão ocorrendo: o coronavírus e o medo do coronavírus, que pode ser chamado de “coronafobia”. Neste momento, o segundo é o mais destrutivo.

As pessoas estão sentindo pavor do vírus porque ele apresenta um mundo desconhecido. Trata-se de uma doença misteriosa que vem de um longínquo país totalitário. Todo o mundo desconfia dos dados vindos da China. A natureza altamente contagiosa e imprevisível do vírus amplia o medo já generalizado. A propaganda exagerada e as imagens divulgadas pela mídia multiplicam o impacto da doença, criando um sensacionalismo em torno de sua própria disseminação.

Portanto, a coronafobia está assolando o mundo inteiro. Desacelerou as economias, provocou queda nas ações na casa dos trilhões de dólares, interrompeu as celebrações nas igrejas e paralisou cidades. Está moldando a política, pois os líderes globais têm sido testados no combate ao grave desafio proporcionado pela disseminação da doença.

Uma verdadeira ameaça. — Naturalmente, o coronavírus, de fato, apresenta riscos reais. Medidas razoáveis devem ser tomadas. Como em todos os tipos de gripe, as pessoas adoecem e morrem. As pessoas com baixa imunidade no organismo são particularmente vulneráveis. Suas vítimas tendem a ser pessoas frágeis com comorbidades.

No entanto, dois fatores tornam essa ameaça diferente e mais aterrorizante do que os casos de gripe, que já ceifam milhares de vidas anualmente. O primeiro é que o coronavírus pode atacar de forma rápida e indiscriminada. O segundo é que não há vacinas contra ele. Desse modo, as pessoas ficam com um senso generalizado de impotência diante de um minúsculo vírus que está pondo de joelhos um mundo frágil e interligado.

As causas do medo. — Ninguém gosta de dizer isso, mas a causa da coronafobia é o medo hobbesiano da morte, que tanto assombra a mente do homem moderno. Cada pessoa enxerga numa morte causada pelo coronavírus a sua possível morte. O medo paranóico provoca uma demanda para que todos os meios possíveis sejam empregados contra essa remota ameaça, ainda que pareçam excessivos. Esse drama desesperado cria situações que levarão as pessoas a renunciar a direitos e liberdades para não contrair o vírus.

A coronafobia é provocada por uma sociedade na qual o valor supremo é gozar a vida. Por isso, toda a força das autoridades médicas deve ser mobilizada de forma tão apaixonada. Tudo deve ser feito para prolongar a vida daqueles que ainda desfrutam dela e pouco se importam com a eternidade.

Nem toda vida, porém, é igualmente valorizada na cultura hedonista atual. A mesma classe médica que luta para tratar as vítimas do coronavírus aniquila milhares de vidas diariamente por meio do aborto e da eutanásia, para que outros possam se libertar de suas responsabilidades e “desfrutar” da vida.

Vivendo na negação. — A coronafobia explica por que existe tanta propaganda em torno do assunto. Numa cultura que adora o prazer, vírus que ameaçam a vida oprimem e arrasam mentes que não estão acostumadas a pensar na morte e no sofrimento. As pessoas procuram qualquer caminho para escapar dessa realidade desagradável.

A fim de evitar qualquer reflexão profunda sobre o vírus, as pessoas o cercam de ruído e agitação, na esperança de que o barulho possa amedrontá-lo. Para encontrar soluções rápidas para o problema, exigem de forma barulhenta ações urgentes, ainda que desafiem o bom senso. Impotentes, são tomadas pelo ressentimento e pela raiva, culpando outras pessoas por seu infortúnio.

O medo predomina nessas circunstâncias. As pessoas farão de tudo para não enfrentarem sozinhas essa crise e toda a sua gravidade. O festival da propaganda sufoca tudo numa intemperança frenética de negação coletiva.

A cura para a coronafobia. — Existe uma cura para a coronafobia. Ela passa por encarar a realidade com toda a sua objetividade. As pessoas não devem nem ter reações exageradas nem minimizar os perigos. Elas precisam enfrentar o vírus, com calma e bom senso, utilizando os meios normais empregados no combate aos casos fortes de gripe.

A coronafobia só poderá ser superada por aqueles que ousam pensar além dos prazeres da vida. A tragédia convida as pessoas a refletir sobre a mortalidade e contingência humanas. No silêncio da reflexão, as pessoas encontram sentido e propósito para o seu sofrimento. Adquirem coragem para agir de forma eficaz, abraçando a realidade, e não a negando.

Acima de tudo, a tragédia leva as pessoas a confiarem em Deus e em sua Providência. As limitações de uma sociedade exclusivamente secular ficam patentes quando ocorrem tragédias desse tipo. A humanidade fica limitada aos seus próprios recursos e descobre, lamentavelmente, que eles são insuficientes. Ao longo da história, quando confrontadas com a tribulação, as pessoas de fé recorreram a Deus e encontraram consolo e auxílio. Por isso a Igreja sempre exerceu um papel tão importante em tempos de calamidade. Em vez de proibir as celebrações eclesiásticas, seria oportuno que as autoridades encorajassem a Igreja a ampliá-las. Essa confiança é a única cura garantida para a devastadora coronafobia que assola o mundo.

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