Como é ser apoio na BR135 Ultramarathon

O plano foi ter o mesmo carro com 3 pessoas (Eu, Charlston e Luana) para darem todo suporte a 2 atletas (Ricardo Almeida e Cesar Moro).

Alugamos um Duster em São Paulo e fomos para São João da Boa Vista quarta de manhã, já levamos boa parte do que precisaria (caixa térmica, cadeira dobrável, tatames, lanterna, roupas adequadas e bebidas com algumas comidas) uma parte da nossa alimentação seria no próprio comércio da região.

Dos 3 apoios, 2 já haviam feito apoio e conheciam a prova e seus detalhes isso facilitou, se dependesse do congresso técnico f*, quase nada de dicas relevantes “sigam a seta amarela do caminho da fé”.

Antes da largada combinamos um pouco como seria o processo de "abastecer" cada atleta, sendo o Cesar: kit por maratona com seus preparos da nutricionista, a cada hora um suco de uva, maça, a combinação do suplemento X+Y elevando ao cubo, dividindo em 4, mas somando ao líquido… &%$# e o Ricardo: uma sacola com castanhas e tomaria líquidos quando sentisse sede :D

Na quinta as 10h após a largada fomos esperar eles há 33km, pois o caminho não permitia acompanhar de carro. Depois de quase 5h e muita espera eles chegaram já sentindo o peso que seria completar os 230km. Dali em diante poderíamos seguir junto deles exceto na subida do Pico do Gavião que era uns 8km subindo e descendo, e também já poderíamos correr com eles de pace, no caso caminhar :D

A subida e descida foi com sol ainda, bela visão lá do pico, mas o Cesar estava sentindo mais essa primeira parte eu acompanhei ele até descermos e depois o Charlston foi o parceiro, já entrava a primeira noite e seus percalços.

Caiu a noite e ficamos sempre há 1 ou 2km a frente esperando com água e comidas, na madrugada havia um ponto de apoio com banho e alguma comida de panela além de cama, resolvemos parar para banho e sono de 1h, mas não foi legal, porém saímos conforme o combinado.

Logo depois antes ainda do dia clarear chegamos no morro do sabão, mesmo sem chuva o carro não subia "carrinho fraco ein". Mas após usarmos a tática do tapete do carro e empurrãozinho conseguimos subir e o dia clareou.

Os atletas sentiram bastante a noite e conseguimos ir de arrasto até as 14h onde paramos para comer e os mesmos estavam dormindo com garfo na boca, foi então que decidimos dormir na parte da tarde e não na parte da noite, então foram 3h de descanso dessa vez sem banho e 18h largamos novamente.

A noite caiu logo e com ela a chuva e isso nos dava medo de ficar atolados e deixá-los na mão, mas onde a gente estava foi pouco chuva e rendeu quase toda noite, exceto quando o Ricardo começou sofrer com assaduras.

Ao amanhecer estávamos preocupados com a sofrência do "assado", ele demonstrava sofrer com as dores e o Cesar estava bem e queria ir à frente, pedi que segurasse um pouco e fôssemos juntos por mais tempo e foi o que fizemos.

Mas perto das 11h o Ricardo pediu para parar, não suportava as assaduras, diarreia e dores por estar correndo praticamente de "pernas abertas". Nesse momento ficamos perdidos e abalados pois faltava 35km para a linha de chegada.

Sugerimos que ele descansasse por 1h e repensasse a decisão, como ele só conseguia comer maçã e não tínhamos, conseguimos 2, mas perdemos uma delas na bagunça do carro. O Cesar resolveu ir solo com a mochila abastecida. Passado 1h Charlston convidou ele para 1km e nisso eu e Luana resolvemos voltar para achar maçãs, para manter a energia que seria necessário, deu certo.

A partir daí foi muita raça para caminharmos por 35km só no passinho, Charlston acompanhou todo esse trajeto enquanto a gente foi dar suporte ao Cesar e encontrar Bepantol e gelo, porque isso iríamos precisar até as 22h, horário limite da chegada, corremos bastante e conseguimos, mas não estávamos na bifurcação para orientar o Cesar no km 220 da prova e ele passou reto e correu 4km a mais, mas foi salvo pela ambulância.

Quando dava 21h de sábado estávamos chegando com o Ricardo na praça, pois o Cesar chegou por volta das 18h, ali foi emoção de toda equipe, foi trabalho da equipe e muita resistência e força dos atletas que fez aquilo acontecer.

Ufa BR135 concluída, saiu sangue literalmente (assaduras do Ricardo), mas concluímos.

Houve alguns perrengues na equipe durante o percurso , mas tudo superado, muitas risadas, horas sem dormir e uma experiência inesquecível.