Imagine um cirurgião médico na China instruindo sua equipe nos Estados Unidos, em meio a uma operação delicadíssima e urgente, mas que necessite de assistência presencial. Imagine ainda engenheiros náuticos em um escritório, consertando uma sonda subaquática em tempo real, a mais de 10 mil metros de profundidade. Agora imagine centenas de pessoas correndo atrás de criaturinhas invisíveis em pleno Central Park! Imaginou? Pois bem, todos esses exemplos já são possíveis, e fazem parte do universo da realidade virtual, ou simplesmente RV.

Com o objetivo de recriar ao máximo a sensação de realidade para um indivíduo, a RV é uma tecnologia de interface avançada entre um usuário e um sistema operacional. Realizada em tempo real, com o uso de técnicas e de equipamentos computacionais, a RV vem ganhando cada mais os noticiários e fóruns de discussão mundo afora, devido à infinidade de possibilidades e novos modelos de negócio que essa tecnologia ficcional têm despertado em adultos e crianças.

Nova mania global, o jogo para smartphones Pokémon Go, por exemplo, já é um fenômeno sem precedentes na indústria de videogames. Com mais de 7,5 milhões de downloads contabilizados, em apenas alguns dias após o lançamento, o jogo se tornou mais popular que outros ‘aplicativos-mania’, como Snapchat, Tinder e Instagram. E os números relacionados ao game são mesmo assustadores. Segundo estimativa feita pela SensorTower, empresa americana de monitoramento de aplicativos, o Pokémon Go fatura US$1,6 milhão (R$5,2 milhões) por dia!

De acordo com John Hanke, CEO da Niantic, empresa responsável pelo desenvolvimento do game, a maior recompensa do jogo é o incentivo e a oportunidade de sair de casa e viver novas experiências. Hanke diz que enquanto estavam desenvolvendo o jogo, a equipe da Niantic tinha três grandes objetivos em mente: incentivar as pessoas a se movimentaram e praticarem exercícios (tendo um Pokémon como recompensa), estimular a ver o mundo com seus próprios olhos (transformando lugares reais em ginásios) e “quebrar o gelo” entre pessoas, promovendo encontros em grupos para “caçar e rastrear” pokémons.

Mas se foi pensado para facilitar as coisas da vida real, a RV deve ter a preocupação de evitar criar certos tipos de comportamento desconexos demais com a realidade, a ponto de colocar em risco a segurança e o desenvolvimento cognitivo das pessoas. Casos como um motorista em Auburn (NY) — que se distraiu capturando pokémons, saiu da estrada e bateu de frente em uma árvore — ou da polícia da cidade americana de Baltimore, que teve que criar uma placa “alertando” jogadores de Pokémon Go dos riscos do jogo — depois que outro motorista bateu em uma viatura desocupada, enquanto caçava as criaturas — servem para nos mostrar que sem uma conexão com o mundo real, a RV nem sempre trará benefícios na vida das pessoas.

Mas como toda nova tecnologia, ainda existem questões que precisam ser abordadas. A pergunta que fica é: o que acontecerá com as pessoas quando elas estiverem totalmente imersas no mundo virtual? Como vamos entender que uma janela cheia de possibilidades está aberta a poucos metros de você, quando na realidade ela é um doloroso muro de concreto? Pode ser que, no futuro, encontrar alguém na rua usando um dispositivo RV não nos cause mais tanta estranheza, mas enquanto esse dia não chega, é melhor estar sempre alerta! Afinal, no surreal e crescente mundo da realidade virtual, “nem tudo que reluz será ouro”.