- O MOVE é bom!
Hoje tive o prazer de ver os efeitos desta afirmação ao vivo. Enquanto esperava pela minha vez de embarcar, assisti a uma troca de empurrões e palavras carinhosas entre dois senhores que disputavam o último espaço em um dos ônibus. Tá vendo!? É tão bom que o pessoal está brigando para entrar. - Onde cabem dois, cabem três, e por aí vai.
Outra coisa surpreendente é a capacidade de expansão do espaço interno do veículo — ou de compressão dos passageiros. A cada parada pelas estações centrais, só vale uma regra: não importa o quão cheio esteja, alguém ainda vai entrar. - A nostalgia está mais presente do que você imagina…
Ah, aquela saudade que bate… O sentimento de nostalgia e saudosismo inunda os ônibus do MOVE e seus passageiros. Preste atenção: a cada viagem, várias histórias são contadas. Não é difícil ouvir frases como “Quando tinha o 2215…”. - Fila? Coisa para europeus…
Fila? Aquela linha de pessoas calmas, aguardando sua vez? Coisa de europeu! Você acha mesmo que no Brasil, país do “e vai rolar a festa”, “beijinho no ombro” e etc, essa coisa sem graça e sem emoção iria funcionar? Bom mesmo é se aglomerar em frente a porta, se acomodando entre os demais passageiros, até o momento em que ela se abre e todos tentam passar ao mesmo tempo. Entrou? É TETRA! É TEEEEETRA! - Somos todos jovens!
Ou pelo menos, temos uma impressão bem próxima disto. Não importa se você tem 8 ou 80, lá dentro é cada um por si. Isto é bom, deve instigar a competitividade, o espírito esportivo, a sensação boa de chegar na frente e conseguir ir sentado… Mas ainda não consegui definir a sensação que as pessoas tem de se sentar confortavelmente, olhar para o lado e ver alguém com mais idade se equilibrando no meio do corredor — e ainda assim, não oferecer o lugar. - Educação é coisa do passado.
Para que ser educado nos dias de hoje, não é verdade? Isso é coisa do tempo dos seus avós… Para que dar preferência para gestantes, idosos… Vivemos no mundo da igualdade! Para que pedir licença, usar um “por favor”, dizer um obrigado… Seu cotovelo ou jogo de ombro já fala por si só, não é verdade? Pra que ser gentil hoje em dia, gente? Pra quê!? - Não podemos ter tudo ao mesmo tempo.
A vida é feita de escolhas, e isto é uma lição que aprendemos todos os dia, assim como o MOVE. E o dilema não é dos mais simples: tempo ou conforto? Qual você escolheria? Esta é uma decisão muito pertinente a se fazer ao escolher a linha que irá levar ao seu destino. Quer conforto? Escolha a linha paradora — está sempre vazia. Quer agilidade? Escolha a linha direta — menos tempo, muito mais gente. Quer conforto E agilidade? Sinto muito. - Você não é todo mundo.
Este vem para fechar a lista. Lembra quando sua mãe dizia: “Você não é todo mundo”? Pois é. Agora, você se lembra dos comerciais, dos panfletos e das entrevistas em que todo mundo gostou, todo mundo começou a chegar mais cedo em casa, todo mundo ia sentado, com ar condicionado e tudo mais? Pois é! Você não é todo mundo!
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