O Ipê

(Foto: Templo Zu Lai – SP)


Do tronco nascem os galhos, depois as folhas e em seguida lindas flores.

As flores caem, apodrecem no chão moribundo colorindo as calçadas pungentes da civilização contemporânea.

As folhas caem, apodrecem sobre essas calçadas, outrora coloridas pela beleza das ditas flores.

Os galhos secam.

É tempo de renovação.

Não há a vida lá fora, morte.

Renascimento.

Por dentro a vida acontece, borbulha, se renova.

Um novo ciclo explode, se abre para a vida lá fora, para a morte evidente.

E assim por anos e anos.

A nossa vida também é assim.

Há vida em nós, ela quer se manifestar.

Há uma vida dentro de nós,

Somos essa vida em nós.

Há vida em mim.

Eu sou vida, viva.

Mas há algo em mim que morre,

Todos os dias.

É tempo de olharmos para a vida pulsante que há em nós, interior.

Por que me interesso tanto pela morte aqui fora?