Quarta capa

João Mendonça
Aug 28, 2017 · 1 min read

Beijei a quarta capa em reverência a ultima estrofe. Paixão pela ideia de que tem um tigre pronto a nos atravessar. Das vezes em que te chamei de poema só para chamar tua atenção. Sobre os dias em que transformei o não. Cada linha, uma animal. Todo o texto natureza selvagem. Num espelho convexo tentei ampliar nossa imagem. Na figura maior sumiu a nitidez.

O ultimo trago é o mais ardido. Toda a embriaguez foi bebida. Teus olhos, despedida. Na última vez que nos vimos você estava deitada no banco do carro, te via como sempre te vi, de ponta cabeça. Pedia para eu não ir. Só você estava no carro. Como doeu bater a porta, você não ia me levar.

Já tenho um lugar no estante onde te encontrar. Sem categoria desorganiza por essência. Conteúdo sem título. Não dá pra resumir. Talvez fiquemos lá até a próxima tempestade fazer-nos cair. Queria que abrisse numa página em branco. Não quero admitir, se eu usar nanquim, tenho medo de borrar.

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João Mendonça

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Onde eu for escrito como abreviatura quero ser lido por intenso.

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