Quando me tornei pai

João Dobbin
Jul 23, 2017 · 3 min read

Em toda ocasião reforço que virar pai foi a melhor coisa que me aconteceu. Mas talvez eu nunca tenha falado para muita gente quando isso aconteceu.

Sim, ninguém vira pai assim que vê um exame positivo ou até mesmo quando a criança nasce no hospital (ou em casa, hehe).

Se tornar pai, de verdade, é um compromisso que você faz. É uma sensação indescritível, parecida com algumas sensações que ainda não tem muito como descrever ou documentar, sabe? Tipo, qual a primeira lembrança que você tem da sua vida? Como descrever a saudade por alguém que já se foi?

Claro, você pode encaixar em algumas “categorias” de sentimentos. Medo, amor, saudade, enfim. Mas você e eu sabemos que não é a mesma coisa.

Particularmente nunca lidei muito bem com sentimentos (foi parte do motivo pelo qual decidi cursar psicologia — mal sabia eu). Sou econômico nos “eu te amos” e demonstrações físicas de afeto (a unica pessoa que foge à regra, adivinhem quem é).

Mas o sentimento de “caramba, eu sou pai disso aí” até hoje fica zunindo na minha cabeça e a vontade de contar para todo mundo é incontrolável (não com essas palavras, talvez).

O dia

Eu havia me separado da mãe do Gabriel e recebi o convite de ir até o sítio de um dos meus melhores amigos. Meu filho deveria ter entre 2–3 anos.

Lá, nos divertimos bastante, e lembro que no final do dia, penteando o cabelo dele, ele se virou para mim, me abraçou e disse um “obrigado papai” meio desastrado. Assim, 100% espontâneo e sincero.

Naquele momento, eu percebi o que ele tinha sentido: Ele foi acolhido, cuidado e afagado por mim de uma forma totalmente diferente de até então. Talvez eu já tivesse feito algumas dessas coisas antes, mas sem dúvida nunca dessa forma.

E depois de sentir aquilo, eu precisava disso para o resto da minha vida.

Mas e antes?

Bom, como falei, eu sempre tentei estar presente na vida do meu filho, mesmo quando separado da mãe dele. Hoje vejo que simplesmente estar lá não é suficiente.

Tenho amigos que com certeza ainda não tiveram esse sentimento, mesmo com o filho com 5, 9, 10 anos. E outros que nunca tiveram uma ligação com o próprio pai, mesmo depois dos 30 anos.

E é complicado, pois até você se sentir pai, não dá para descrever a sensação nem sentir falta dela. Por isso que digo, toda criança é adotada. Não adianta parir, não adianta conviver com ela. Você precisa adotar o seu filho, de verdade.

E agora?

Uma vez feita essa conexão, ter vivido esse sentimento, meu objetivo é mantê-lo e arrancar o máximo de “papais” sinceros. Cada um deles me dá mais algumas horas de vida nesse planeta, sem dúvidas.

E, por mais piegas que isso possa parecer, a cada minuto aprendo algo novo com o meu filho (acho que grande parte das coisas bregas sobre ser pai são verdade). No caso do Biel, bem literalmente.

Essas são algumas frases que já ouvi, reais, na boca desse serzinho desde o seu nascimento até hoje (9 anos completos em 30 de agosto).

  • “Fica calmo. Ficar nervoso não resolve nada”
  • “Brigar não resolve nada. Vocês precisam conversar”
  • “Tem que ser positivo, papai”
  • “Ainda bem que você me tem, uma fonte infinita de alegria”
  • “Não tem problema se você não conseguir. Você pode tentar de novo ué”
  • “É só um jogo”

Entre tantas outras. Então, agora é trabalhar para manter e melhorar ainda mais a conexão que consegui com ele, e se esse pequeno texto chegar até alguém, espero que motive mães ou pais, a se aproximarem do seu filho. Ouvi-lo, cuidar dele, de verdade. Vocês não vão se arrepender!

    João Dobbin

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