Einstein realista

Conhecer algo é acabar com seu mistério, des-cobrir. Para os ignorantes é mágica, para os que enfrentam o que vêem certos das limitações humanas, é ilusionismo — e este é inda mais fascinante do que a preguiçosa possibilidade do inexplicável. Mas, em se tratando de Einstein, dá a impressão de que ele recebeu umas dicas de Deus de como tudo funciona. Ou, ainda, de que ele tenha se encarnado temporariamente pelos construtores da ilusão do nosso universo holográfico para abrir alguns códigos. A verdade, no entanto, como ele mesmo disse jocosamente, é que o segredo é “esconder suas fontes”: Einstein sintetizou muito do que veio antes dele e do que efervescia em sua época. Aplicou modelos matemáticos à física. Juntou algumas pontas. E, quase paradoxalmente, concomitantemente a isso ele desprezou o conhecimento adquirido em prol da liberdade da imaginação (o pensamento sem quaisquer amarras goza de toda sua potência, independentemente se o fim é libidinoso, criativo, científico etc.). O processo de Einstein não deixa de ser, então, um processo criativo: síntese e imaginação em busca de ocupar espaços possíveis — buscar “o novo”. No seu caso, ele inventou várias realidades, até que uma o convencesse de ser a que ele estava inserido. Foi um método de retratar o universo — mas em vez de fazê-lo por observação, como o fizeram Newton e Galileu, fê-lo como um retrato falado: como tal, foi um realista — e foi um delator.
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