Eu lembro de ter meus 10 anos de idade, na 4ª série do meu querido colégio Luz e Saber e aproveitar uma tabela tosca e improvisada numa quadra igualmente tosca e improvisada (que, obviamente, era dedicada quase que full-time à atividade de futebol), pra arremessar uma bola-que-não-era-de-basquete na cesta e sair gritando “Kobe Bryaaaant!” ou “Shaquille O’Neal!” (tinha uma pausa grande entre o primeiro e o segundo nome).

Francamente, não sei de onde veio essa paixão. Acredito que tenha sido por causa de um caderno Tilibra que tivera no ano anterior, com o logo do Los Angeles Lakers estampado na capa. Malgrado tivesse tido também um do Chicago Bulls — muito mais plausível no mercado brasileiro naquele fim de anos 90 — eu escolhi o time amarelinho de Los Angeles e até hoje me mantenho fiel.

Obviamente quem começou a torcer pelo time naquela época aprendeu uma coisa: idolatrar Kobe Bryant. Ao longo de todos esses anos acompanhando Kobe, eu sempre estive do lado que o considera um dos maiores de todos os tempos. E agora, com sua aposentadoria chegando no dia de hoje, eu só tenho a plena certeza que sempre estive certo.

Mas não se trata disso. De estar certo. Trata-se de ter criado na cabeça uma grande referência. Há 16 anos, eu sei quem é Kobe Bryant. E o mais engraçado disso tudo: quem conviveu comigo de forma mais próxima nessa década e meia, também sabe quem é Kobe, mesmo sem ter ideia do que é a NBA.

Minha mãe, que não tem qualquer conexão com qualquer esporte, sabe quem é Kobe e o reconhece se ele aparecer um microssegundo na TV: “Olha Kobe!”, diz toda orgulhosa. Minha tia hoje cedo me mandou uma foto de um jornal qualquer (acho que era a Folha de São Paulo) com uma foto gigantesca do mito e uma agradecimento ao atleta que foi. Meus amigos e companheiros de pelada da 7ª Série do Colégio Militar do Recife certamente ouvirão a notícia que Kobe finalmente aposentou e lembrarão de mim: aquele moleque magricelo que achava que jogava alguma coisa nas aulas de educação física.

Há 13 anos eu acompanhava a despedida de Michael Jordan. Hoje, no mesmo canal, verei Kobe dizer adeus. Enquanto Jordan foi magnífico, venceu tudo e acabou com todos, eu não senti emoção ao vê-lo partir: não tinha conexão com ele.

Hoje, com Kobe, acho que vai ser bem diferente. O legado dele pra mim é maior que 5 títulos pro meu time, é maior que vencer o Boston Celtics na final, é maior que 81 pontos numa partida. Kobe Bean Bryant, quase como um irmão mais velho, é um cara que esteve presente basicamente todos os dias da minha vida nos últimos 16 anos.

Eu imagino que vá ser extremamente difícil para Kobe viver aposentado, decidindo o que fazer fora das quadras. Mas Kobe, meu caro, não pensa que vai ser fácil te ver longe delas.

Valeu por tudo, irmão.

Show your support

Clapping shows how much you appreciated João Lima’s story.