Belo texto, ficou bem claro e objetivo.
Bruno Oliveira
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Bruno, muito obrigado.

Penso o mesmo sobre o modus operandi do Bolsonaro. A todo instante sua campanha usou as guerras culturais como trampolim. E agora ele tem a máquina do governo a seu favor, dando vantagem de comunicação, de narrativa, de projeto... Confrontá-lo nesse terreno não faz sentido como estratégia de oposição.

Inclusive, esse aspecto do bolsonarismo traz várias questões interessantes que pretendo abordar aqui qualquer dia. Por exemplo, a curiosa proeminência de um "voto identitário" nessas eleições, baseado em perspectivas sociais e visões de mundo, bem mais do que o voto retrospectivo, o voto com o bolso, como seria esperado numa situação de prolongada crise política e econômica (o erro das candidaturas mais ao centro foi justamente se ater a buscar esse voto).

Outra coisa interessante é a retórica bolsonarista e suas operações semânticas, com que ele tenta (e efetivamente consegue) transformar PT, esquerda, ideologia, doutrinação, sistema, política, corrupção… em termos mais ou menos intercambiáveis. Assim ele consegue, ao mesmo tempo, dar ainda mais coesão à sua tribo e também se blindar contra toda crítica, já que qualquer forma de oposição passa a ser identificada com o que há de pior na política.

Mas divago…