A triste geração que participa de tudo e ao mesmo tempo de nada

Há tempos venho notando mudanças significativas no engajamento jovem e na forma com que o jovem se relaciona com trabalho voluntário, mas jamais conseguiria imaginar uma mudança tão complicada como observo no Brasil. Jovens sem qualquer pudor, envolvem-se em atividades extracurriculares, principalmente na área de voluntariado, por pura vontade de aumentar ego e currículo.

Trabalho com projetos de voluntariado online desde o fim do meu 9° ano do Ensino Fundamental. Hoje estou caminhando para meu segundo de Universidade, cursando economia. Confesso que desde lá o perfil dos ingressantes em projetos voluntários online mudou muito. E acredite: mudou para pior.

Cada vez mais observo jovens que entram em projetos de impacto social puramente interessados no que tais projetos proporcionarão de benefício para seu currículo e para seus processos de seleção. Ou as vezes resolvem fundar um projeto também, que depois de passarem os processos de seleção (especialmente um tipo chamado “Application” — para estudar fora do país), deixam morrê-lo. Não vira nada, mas está lá, no currículo. Se tiver nome em língua estrangeira então, melhor ainda, já que dará a impressão que é algo que não fica no Brasil e nem está enraizado aqui.

Tal geração não sabe cumprir prazos, metas, acordos firmados. São questionadores e quebradores de regras por natureza. Os valores das organizações que trabalham não importam mais. Nada é mais importante que dizer que não tem tempo, mas em contrapartida manter-se o dia todo atualizando as redes socais.

Participei de muitos processos de seleção e passei em 90% deles. Sim, a emoção, o prazer de ver seu nome na lista é indescritível. Mas atenção geração Z: NÃO ADIANTA PASSAR. Tem que se adequar a valores organizacionais, do lugar que você trabalha. E mais que isso: tem que fazer a sua função da melhor maneira possível, em semana de provas ou fora delas, em feriados ou fora deles, ir além do que lhe é pedido. De nada adianta publicar no Facebook que passou em algo e não estar nem aí de verdade para aquilo.

O objetivo deste artigo é apresentar a geração que virou escrava do próprio ego. Então não entenda como um desabafo e caso você seja assim, reflita.

João Pedro P. Pereira

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