Como me apaixonei após tomar um café, nos imaginei casados, mas depois disso você foi embora

Eu tenho tempestades dentro de mim. Todos temos. Ela veio me contar os problemas. Brigou com o namorado. Eu ouvi atentamente. Dei vários conselhos. Queria contar pra ela que eu seria melhor. Te acordaria com café na cama. Te chamaria pra almoçar — você não pode comer miojo a vida inteira. Podemos tomar um sorvete. Seremos grandes amigos. Você gosta de café?

Podia ter esperado o garçom. Mas preferi me adiantar indo ao balcão. “Boa tarde, senhor, dois cafés, por favor. Estou naquela mesa com a ruiva bonita”.

Sentamos. Adorei o fato de você ter vindo me ver. Já te falei que adoro esse café? Mas venho aqui tão poucas vezes. Experimenta o chocolate quente. Podemos vir aqui todos os dias. Esse é o bom de morar debaixo do café. As pessoas são muito educadas. Olhe as árvores, o silêncio. Nossa, olhando daqui, percebo que preciso lavar a minha janela. Gostou dessa cortina? Acabei de comprar. Demorei um ano, mas estou apaixonado por esse tom de azul. Podia dizer o mesmo sobre você. Quem sabe um dia? Somos amigos, né. Mas nunca sabemos o amanhã.

Os dias vão passando, o vento que toca o seu cabelo faz daquele segundo nunca mais ser o mesmo. Desde que eu te vi, nunca mais fui o mesmo. Um sorriso sempre habitou meus lábios. Fiz tantos planos. Vamos à roda-gigante? Você e eu, lá em cima, tirando fotos, ouvindo Arctic Monkeys. A foto é para registrar o momento. Eu sei que o coração registra. Mas quero ter uma imagem. Até pensei em deixar na minha mesa do trabalho. Sabe, fazer inveja em todos que chegassem aqui. “Nossa, que casal bonito!”. E hoje à noite, poderíamos comer pizza. Ainda não descobri qual o seu sabor favorito. Ah, portuguesa. Acabei de descobrir. Vamos pedir uma pizza portuguesa. Ou então, eu posso até fazer a pizza pra gente. Já disse que gosto de cozinhar. Você mesma disse que seríamos um casal perfeito, visto que gosta de comer.

Eu imagino a gente deitado, eu contando as minhas piadas, ou então, quem sabe posso tocar aquela música da Ana Muller que tu gosta tanto. A gente faz brigadeiro, fica vendo How I Meet Your Mother. Será que no final disso tudo, eu vou contar pros nossos filhos como te conheci ou você será somente um episódio onde falarei para as crianças sobre como conheci a mãe deles?

A vida é feita de incertezas. Não sei se ainda te darei aquele buquê de coxinhas que te prometi. Ou aquela meia de panda. Eu adoro meias diferentes. Íamos ser o casal mais fashion de todos. Fui reler essa carta e vi que eu falo muito sobre comida. Mas você gosta. Talvez seja por isso que eu gosto tanto de ti. Talvez numa tarde quente, eu não esteja aí, fisicamente, mas te mande um milk-shake de blue ice. E um vaso com margaridas. E não, você não irá roubar a minha camisa de margaridas.

Hoje cedo tudo isso passou pela minha cabeça. Confesso que queria. Ao mesmo tempo que acredito que não terei. Eu não criei expectativas. Mas realmente imaginei a gente se casando, no domingo passado. Naquele igreja onde ficamos em frente. Ou então no campo, você de vestido e flor no cabelo, eu de camisa florida — se não for assim, não tem graça.

Amanhã será um dia difícil. Não sei se ao acordar, você estará por aqui. Não sei se iremos nos falar antes de ir dormir. Talvez um dia eu te diga que acredito estar apaixonado. Mas isso soaria muito Ted e já vimos na série que nunca dá certo dessa forma.

Pra lá das montanhas, num domingo de outono, o céu estava tão azul e eu sentia o vento frio em minha face. Então, consegui ver uma estrela cadente. Lembrei que deveria fazer um pedido. O meu foi para que você voltasse…

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