DADO EM CASA

Na quarta-feira eu saí. Comemorar o aniversário de certa pessoa que se mostrou ser ainda mais legal do que eu imaginava, sabe aquelas pessoas que são muito legais e você não teve a oportunidade de conhecê-las por motivos escrotos e se arrepende de não ter conversado direito com ela antes? Devíamos criar uma palavra pra traduzir isso, fica a dica para a sociedade, chamemos Colitatis, ou algo assim, mas isso é assunto para outro texto.

O tal aniversário era em outra cidade, então dirigi-me ao meio de transporte mais prático que existe: o ônibus. A história tem outras personagens, um triângulo amoroso e um assassinato (não confirmado pela perícia ainda), mas eu não estou, diretamente, envolvido nessas histórias paralelas, eu sou o cara que some e compra um dado. E essa é minha sina.

Me dirigi para a Cia. do Livro, havia muito que ganhara dois vales e não encontrava tempo para trocá-los, assim, aproveitei a brecha no tempo e espaço e surgi lá, comprei uma constituição, porque a minha estava bem velha, e um dicionário jurídico (eu curso Direito na faculdade). Os vales supriram tais necessidades, mas ao andar a esmo pela livraria e observar uma prateleira notei que havia ali algo que eu procurava há tempos.

Bom, era um dado, não um dado normal, mas um dado de dez faces, um d10 ou um trapezoide pentagonal, que me parece o melhor nome de todos os há citados. Girei ele no balcão, deixei-o cair e o comprei.

Segurei ele fortemente com uma mão, era azul escuro, tão belo. os números inscritos em branco eram fundos, quando ele girava como um peão era fascinante. Eu fiquei com muito medo de perder o dado, porque eu perco as coisas com muita facilidade, então o mantive no bolso e, como num tique nervoso, checava a todo instante se ele ainda estava lá. Consegui trazê-lo intacto para casa. É incrível como damos valor a pequenas coisas, mas que possuem grandes significados

Eu queria me lembrar o motivo pelo qual iniciei essa história, talvez tivesse algum significado no começo, mas agora não lembro, nem tudo tem que ter uma lição de moral no final porque animais não falam no mundo real.

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