Remetente

Se essa fosse uma carta de amor, eu seria o Pretendente? O Sonhador, ou o Iludido? A carta seria guardada? Ao menos lida? Ou às traças ela ficaria? Se essa minha carta de amor não tivesse como destinatária você eu seria incoerente com o que venho escrevendo? Eu seria então o Mentiroso?

Quando a carta chegar e você vir meu nome haverá um sorriso? Uma alegria diferente? Fico pensando em como minhas palavras te atingem, queria que tocassem de leve o campo desconhecido que é o seu coração, plantando meus desejos e fazendo serem seus também. Minhas palavras, eu queria que vocês fizessem com que ela as quisessem ler e ter mais de vós.

Se minha carta chegar atrasada você ficaria ansiosa? Me ligaria perguntando se eu já mandei? Não me mandaria uma mensagem, tenho certeza. Você não espera meu “oi” como eu espero o seu “oi”, disso não faço pergunta pra não me magoar com a resposta que já sei.

Agora que estão acabando minhas linhas me pego pensando no começo, não da carta, de nós, divertidos e inocentes, como duas crianças que éramos, porém eu me negava a descobrir o que era aquilo e você era tudo aquilo, todo amor que houve nessa minha vida.

Ainda não sei como você me chamaria, “ex”, “amigo”, “colega”, “conhecido”, qual meu destinatário para você? No destinatário eu não queria por seu nome, queria algo que tivesse marcado o nosso encontro, algo que fizesse você se lembrar o porquê de tudo ter existido, mas seu nome me envolve de forma inexplicável, como se tudo o que você é e representa estivesse ali. Seu imo e seu orto em sete letras.

Faço questão de escrever manualmente a carta, impressa ela não tem o mesmo valor, gosto de quando você fala da minha letra, de como eu não sigo a linha e começo de um jeito e termino de outro. Você reparava minha letra como nunca reparou meus olhares que, tardios, demoraram a notar o quanto você fazia falta. E ainda faz.

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