João P.
João P.
Nov 6 · 2 min read

Alguém pode, por favor, me dizer onde estão as pequenas coisas, simples, que fazem a felicidade parecer real, pois há tempos eu não as encontro e procuro paliativos. Me entrego a eles e sumo, sumo dentro de mim dando vazão a uma face que talvez não seja a minha e me recolho tão fundo em mim que as vezes sinto que sair vai se tornar impossível. Me anulo ou fico triste? Vivo por mim ou nesse piloto automático inventado peça sociedade para que não notemos que a rotina infernal de trabalhar e não viver, ser e não ser aceito, existir e não ser visto, de amar e não ver amor no mundo? Alguém aí poderia, por favor, me dizer onde anda o amor?

E o meu amor, que faz tempo que se foi, hoje beija outros amores. Uns com duração de madrugada, apenas. Até os meus são assim e eu queria ter mais tempo para vivê-los, que pena. Não é assim que é o mundo, o ideal não poderia estar mais longe da realidade e morrer de amor se tornou raro. Os mais sensíveis não se adequam, afundam em seus lares, em bares e se tornam cada vez mais raros. Quase não sento mais na praça para apreciar boa música e admirar as árvores. A poesia intrínseca se tornou distante até de mim. E por fim, fico mais triste.

Morreu a poesia e por esses dias também morreu um amigo meu. Um dos antigos, que corria comigo pelo morro, jogava futebol descalço. “Ei, vai pegar logo a bola, cumpra teu papel de gandula!” e ele quase nunca ia, não era bom em se encaixar onde queriam que ele estivesse, vivia num mundo só dele e quando nós da sociedade quisemos obrigá-lo a se enquadrar ele se foi. Sinto Tanta saudade! E o pior de tudo é que sei que também tive culpa, disso e de mais centenas de problemas. Os mendigos na rua a quem damos moedas para aliviar a consciência e depois xingar o Estado, como se não fizemos parte dessa negligência. Atenção: negligenciamos pessoas nestes tempos. Nos Negligenciamos.

Alguém, por favor, me diz como faço para não morrer. Quando mais novo eu escrevia para viver, porém, minhas palavras nunca foram mais sem vida.

    João P.

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    João P.

    Acham minhas cartas belas, mas eu só as escrevo em crise.

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