A política estudantil fracassou

Fiz parte de um Grêmio Estudantil e convivo com um Centro Acadêmico de uma faculdade há 3 anos, que fique claro que as minhas críticas não são direcionadas para ninguém. Esse texto é apenas uma análise e um fluxo de consciência a respeito do tema.

Começando do começo e buscando um pouco do contexto e de onde surgiu o movimento estudantil no Brasil. A criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) aconteceu em 1937 e mesmo durante o governo de Getúlio Vargas a entidade já era atuante. No entanto, foi na Ditadura Militar que o movimento estudantil e a política estudantil se fizeram mais presentes e ganharam maiores destaques no cenário nacional. A importância dos movimentos era tão grande, que era reconhecida pelos militares, tanto que diversos estudantes morreram e QG's da UNE foram destruídos durante o período de 1964 até o fim do período da ditadura.

Mas vamos trazer isso para o nosso cotidiano e para o nosso contexto atual tanto da política estudantil, quanto também para a política em âmbito municipal, estadual e também federal. Semana que vem, tem a eleição para a gestão do CAAP, centro acadêmico da Faculdade de Comunicação Social da PUC-RS. Temos duas chapas, que conforme os panfletos distribuídos querem a mesma coisa, assim como todas que chegam para as eleições todos os anos. É preciso ser coerente e entender o que realmente significa conquistar um centro acadêmico: poder. Surge na cabeça de todos agora, mas que poder? Afinal, é apenas um centro acadêmico, que, teoricamente, teria que funcionar e agir em prol dos ESTUDANTES.

Você, leitor, se pergunta agora "mas eles não agem pelos estudantes?". A resposta é não. É bastante comum perceber que a maioria dos envolvidos nesse tipo de processo eleitoral tem alguma relação com algum partido político e vencer as eleições significa ter mais influência no cenário estudantil, que pode se refletir no real, nas eleições de verdade. Ainda na mesma linha, não é incomum ver quem tentava "ajudar" os estudantes darem um salto e aparecerem concorrendo a vereador ou deputado.

Muitos desses afirmam que os jovens perderam o interesse na política e que a juventude está despolitizada. Ok, talvez esteja, mas a discussão que quero suscitar é quais os motivos para essa despolitização. E eu, particularmente, encontro um dos motivos todos os dias na faculdade. Percebo que a nossa política e nossos partidos políticos são, muitas vezes, reflexos da política estudantil. Um grupo de estudantes foi afastado do DCE da PUCRS porque esses roubavam e eram considerados uma máfia. Será que isso não faz com que os estudantes, jovens ou adultos, tenham menos interesse?

Política, na nossa sociedade atual, corresponde a poder. Poder mandar, administrar, ser, fazer. Cada qual faz da sua maneira. Estudantes fizeram parte de uma manifestação que derrubou um presidente. Hoje, o interesse é simples e puramente no poder. A vitória no Centro Acadêmico pode significar mais cadeiras na Câmara de Vereadores, pode alavancar uma carreira na política… Hoje, a política pode tudo. Mas não deveria poder.

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