Não vivemos mais uma crise, e sim a transição para uma nova mudança de era.

Nos últimos anos os conceitos e verdades advindos da revolução industrial estão todos sendo suplantados por novas ideias e paradigmas. Os sinais de que já existe uma grande transformação em curso estão aí para todos que quiserem ver.

Listo nesse texto 10 transformações que mostram como o mundo está sendo reprogramado para entrar em uma próxima grande era, não mais baseada nos preceitos tradicionais e massificados da revolução industrial, mas forjados por uma sociedade cada vez mais conectada e consciente. Confira!

1 — Vivemos hoje uma mudança de consciência e não apenas mais uma recessão econômica.

Veja as industrias focadas no modelo de produção em massa. Todas vivem há anos uma sequência interminável de crises. Muitos analistas já entendem, por exemplo, que a queda atual de venda de veículos não corresponde apenas a mais um desajuste econômico passageiro, e sim à postura de uma nova geração de jovens adultos que estão ressignifcando os sonhos de consumo de uma sociedade inteira. Isso sem mencionar o impacto que os aplicativos de compartilhamento e novas tecnologias também já estão exercendo sobre os resultados de vendas de produtos físicos.

2 — Capital social começa a ganhar mais importância do que acumulo de bens.

Com a revolução digital e as mudanças de comportamentos advindos desse processo, é cada vez mais intensa a mudança na atitude das pessoas em relação às suas escolhas. Capital social e acumulo de experiências, por exemplo, já são novos parâmetros para medir sucesso ou fracasso. Há não muito tempo atrás, essa realidade era completamente diferente. O número de carros na garagem e casa própria definiam o nível em que você se encontrava nesse quesito. Hoje, uma aventura para um país com uma cultura completamente diferente, gera muito mais status do que o apartamento novo que você acabou de adquirir.

3 — Até mesmo os códigos de leis estão sendo suplantados por conceitos de autogestão

Novas tecnologias estão permitindo novos formatos de trabalho, e as regulações trabalhistas, assim como as interferências governamentais, terão cada vez menos relevância em um mundo que se encaminha para sistemas de auto regulação baseados em confiança e geridos por avaliações das próprias pessoas.

4 — Novos valores e novas tecnologias redefinem o conceito de trabalho.

Atualmente, milhares de jovens invadem o mercado de trabalho cheios de questionamentos e objetivos completamente opostos ao que as empresas, surgidas na era da revolução industrial, prezam. Essas pessoas trazem consigo novos valores e prioridades. Já não possuem o dinheiro como única meta, mas sim a qualidade de vida, a liberdade e a autonomia. Preferem deter o controle e a gestão de seu próprio tempo em detrimento da sensação de estabilidade. Você já refletiu e buscou as razões para a diminuição do compromisso de profissionais em relação às empresas que atuam? Um jovem médio chega a trocar 3 vezes de emprego em menos de um ano!

5 — Hoje, a sua marca é o que as pessoas falam dela, e não o que sua marca fala sobre ela mesma.

Grandes empresas globais estão extremamente mal acostumadas em desenvolver campanhas publicitárias unilaterais, partindo do princípio de que, marcar a ferro e fogo o consumidor com as verdades da própria marca, já é suficiente para deter o controle e a liderança. Com o acesso à tecnologia e o emporedamento social — através da informação e do conhecimento — pessoas já não admitem receber verdades prontas e imposições dogmáticas. Nesse momento atual, começa-se a perceber que pessoas não querem se relacionar com empresas, mas sim com outras pessoas. Sob o ponto de vista do marketing e da sustentabilidade de negócios dos mais diferentes segmentos, esse processo só acontece com uma nova visão, não mais baseada em distribuir informação em vias de uma direção só, mas de estabelecer conversas e relacionamentos verdadeiros entre as partes.

6 — Errar virou hype e hoje é visto como sinônimo de inovação e criatividade.

Há pouco tempo atrás, contabilizar sucessivos sucessos sempre foi tido como diferencial competitivo. Errar, sob o ponto de vista da era industrial, era sinônimo de incompetência, derrota e tempo perdido. Hoje, criar e incentivar a cultura do erro significa que uma empresa amplia suas possibilidades criativas para encontrar novas soluções, novos modelos e novos produtos. Nesse contexto, as pessoas e empresas começam a notar que, para se criar uma situação onde a criatividade e a inovação fluam livremente, é indispensável abrir mão da ordem e do controle, pois esses dois conceitos oferecem apenas uma coisa: mais do mesmo.

7 — Vivemos a desmaterialização dos modelos produtivos e o fim das fronteiras que definiam as coisas.

As diferentes áreas de atuação, nos mais diversos segmentos, estão aproximando-se a ponto de não haver concorrência ou distinção, e sim cooperação e correlação. Aplicativos móveis interagem e influenciam na medicina, na saúde pública e até mesmo na forma como você se comporta. Os modelos de negócios que surgem a cada dia desafiam qualquer tentativa de classificação. Atualmente, restaurantes são transformados em espaços de coworking durante momentos de ociosidade. Apartamentos comuns são convertidos em ativos que geram lucro e são equiparados a leitos de hotéis. E esses são apenas dois exemplos de como as linhas que dividiam os diferentes tipos de negócios estão desaparecendo em um movimento de total reprogramação dos modelos produtivos concebidos sob o ponto de vista da era industrial.

8 — Eis que se estabelece a horizontalização e a descentralização do poder.

A soma do acesso à tecnologia, da distribuição do conhecimento e do barateamento das ferramentas geraram uma combinação explosiva. Um exemplo pragmático, para contextualizar esse fenômeno, vem da Youtuber Maju Trindade. Ela possuí mais de 7 milhões de seguidores nas redes sociais em que atua. Só para você ter uma ideia, sua audiência é maior do que a soma total de leitores de todas as revistas da Editora Abril. E essa pequena celebridade só tem 18 anos de idade.

9 — O fazer dá lugar ao ser

Durante a era industrial, o foco foi no fazer. O homem descobriu seu potencial sob o ponto de vista da abordagem da produção. Foi um momento que revoluções foram feitas, recordes foram quebrados e feitos concretizados. O homem foi à lua, a indústria automobilística evoluiu, a medicina avançou. Hoje, a definição de autorealização se dá não mais apenas pelo fazer, mas pelo ser. A matriz de curiosidade e o impulso que leva o homem para frente acontece, cada vez mais, em decorrência de uma necessidade de se autoconhecer. Nunca na história se focou tanto em práticas holísticas, psicologia, inteligência emocional e gestão das emoções como agora. E isso nos leva a pensar que, nesse momento, as maiores transformações se darão de dentro para fora.

10 — O conceito de ideologia e burocracia está sendo substituído por eficiência e coletivismo.

Ao longo de todo o século XX, ideologias serviram como plataformas para propagar padrões culturais que influenciaram cultura, comportamentos e relações sociais. Com isso, partidos políticos, de esquerda ou de direita, ganharam força ao longo desse período justamente por canalizarem visões e pontos de vista de determinadas parcelas da sociedade. Com a revolução digital, a própria sociedade começa a desencadear a formação de uma nova consciência. Diante desse fato, sustentabilidade e equidade, por exemplo, são conceitos que deixam de pertencer da esfera ideológica e passam a ser premissas do coletivo e da humanidade. Isso nos leva a uma pergunta inevitável: será que os altos índices de reprovação de governos e partidos políticos são apenas uma decorrência de um momento histórico de crise ética, ou esse fenômeno é a consequência, pura e simples, da percepção coletiva de que o mundo urge por novos modelos de gestão pública? Democracia representativa aliada ao capitalismo tradicional formam uma equação falida. Está aí Thomas Piketty com seu best seller “A Economia da Desigualdade” para provar esse fato.

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Todas essas análises nos levam a entender que, inevitavelmente, novos paradigmas estão sendo construídos no dia-a-dia por iniciativas criativas e inovadoras no mundo inteiro. Essas manifestações, aliadas a tecnologias disruptivas e livre acesso, estão moldando um novo momento, na qual se evidencia um claro rompimento com as premissas da era industrial.

Eis que surge um novo momento histórico baseado na ideia do refinamento, na qual “dados se transformam em informação que, por sua vez, desbloqueia o processo de formação de conhecimento coletivo e acaba, como consequência, incentivando a descoberta dos caminhos da sabedoria.

A final, não vivemos mais uma simples crise, e sim a transição para uma nova mudança de era.

João Ramos — Idealizador e fundador do movimento cultural Pague com uma foto. Também é coordenador de planejamento criativo da Storck Soluções Promocionais, além de palestrante e idealizador do projeto Inovação Hacker (www.facebook.com/inovacaohacker). Formado em Relações Públicas e pós-graduado e sociologia da comunicação, possui mais de 10 anos na criação e desenvolvimento de projetos baseados em gerar experiência entre marcas e consumidores.

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