Lá se foi o meu terceiro Startup Weekend como organizador e de uma forma muito doida, esse evento não deixa de mexer comigo!

E bom, depois de 3 edições acho que entendo o porquê. Em uma sociedade que muitas vezes o dinheiro é o principal, a conexão e a colaboração entre as pessoas, a ligação de nosso trabalho com algo maior e a individualidade e criatividade de cada um se perdem.

O problema é: passamos tanto tempo vivendo esta realidade na faculdade e no trabalho que acabamos nem nos questionando sobre a possibilidade de haver outras possibilidades e isso já aparece logo na divulgação do SW, não importa o quanto você tente explicar como funciona o evento. As pessoas nunca conseguem entender.

E isso, para mim, é explicado pela seguinte analogia: peça para alguém que nunca tenha visto um elefante descreve-lo. Não importa o quanto ele já tenha ouvido falar, ele nunca conseguirá fazer esta tarefa perfeitamente. E quando o ver pela primeira vez, vai se surpreender.

A experiência do Startup Weekend é parecida com isso, imagina você tentar explicar para um cara que você pagou para ir em um evento que não tem muito cronograma, que na verdade você que define o que vai fazer, que vai se juntar a pessoas que nunca viu na vida, que você passa seus dois dias de descanso trabalhando mais que você já trabalhou na semana e que se sente felizão por isso e que foi uma experiência ultra foda. Difícil alguém que ainda não viveu a experiência entender por que alguns loucos se submetem a isso, não é?

Essa dificuldade está relacionada aos princípios que você assume que são naturais de todo “trabalho”. Enquanto você considerar o trabalho uma obrigação para, consequentemente, conseguir viver, enquanto achar que não pode ser você mesmo no trabalho, enquanto achar que sua obrigação é só fazer o que mandam e esconder as suas opiniões, enquanto não conseguir relacionar seu trabalho com sua vida e com o mundo e enquanto você não entender por que acorda todos os dias com certeza você nunca entenderá o que é Startup Weekend.

O Startup Weekend é na verdade uma aula. Aula de vida! Que a gente aprende a trocar a pessoa perfeita pela originalidade, do individualismo pelo coletivo, do lucro pelo proposito, do prazer pela felicidade, da criação individual pela cocriação, do controle pelo empoderamento, dos recursos pela pessoas e do meu para o nosso.

E enquanto essas mudanças continuarem sendo “estranhas” para nosso dia-a-dia o SW continuará sendo soluços de sobriedade!