Tendências, Design e Usabilidade. Em que é que ficamos? Os últimos mitos.

Tenho estado frustrado nestes últimos meses, sobretudo quando fico rodeado de developers e sou o único user experience designer a defender o utilizador. Penso sempre no melhor para a sua experiência mas chego a ter dias em que penso, estarei a tomar a decisão certa? Sei que sim, mas as opiniões de quem não entende este pensamento mais holístico, por vezes, atrapalham o processo. Sobretudo porque estes seres extra-terrestres nunca conseguem pensar como um user que acabou de entrar num website ou que tem certas dificuldades.

Falando por experiência própria, como utilizador, chego a um ponto em que a parte visual me cativa, é verdade, faz parte da experiência, mas não é tudo. Funciona? Se não funcionar de acordo com a minha expectativa, se não conseguir chegar aos meus objectivos, o que me interessa um design digno de um prémio?

Beauty and brains, pleasure and usability — they should go hand in hand. — Don Norman

Ao longo deste tempo em que me tenho focado mais nas ciências da comunicação, sociais e no estudo do utilizador têm surgido alguns mitos que me sobressaltam, e chego até a sonhar com estes episódios. Vou partilhar com vocês alguns deles e a minha opinião.

“Cliente paga, cliente manda”

A sério? Não conseguimos ser melhores que isto? Onde está a nossa parte evangelista e de defender o utilizador. Estaremos assim tão desesperados por dinheiro fácil, ou não queremos chatices?

Escolhi esta área por gosto, por vocação, por entrega total. E quando me dizem que não é possível e é necessário que se faça tudo ao gosto de alguém que não tem noção da realidade, eu pelo menos, mostro que conseguimos mais se formos de encontro aos utilizadores, que o seu gosto pessoal não vai trazer rentabilidade e que não se devem orgulhar do que estão a criar porque não é deles, a experiência é dos utilizadores.

“Ah, o que está na moda agora sãos os hero’s full screen”

Lá vêm eles com as tendências e do design inovador. Por ser tendência e pela App da esquina usar, não quer dizer que é uma boa solução. É preciso ter maturidade digital para distinguir tendência de design e de usabilidade.

Porquê usar uma hero fullscreen? Quando maior parte das vezes isto deixa o user confuso e sem noção que existe mais informação se fizer scroll, por causa do restante conteúdo não estar visível. Mas depois metem uma animação ou uma seta para o user fazer scroll — Sempre ouvi dizer que quando um design precisa de labels ou de helpers, é porque está mal conseguido.

Eu prefiro usar hero’s que não ocupem a altura toda e assim consigo incluir algum conteúdo na página o que dá a entender ao user que pode fazer scroll pois terá mais informação a seguir ao hero.

“A informação tem de estar toda visível, os users não fazem scroll”

Os users são encorajados a fazer scroll, para além do mais, quando estamos a falar de web, não temos os constrangimentos como no papel que temos apenas aquele espaço para preencher e acabou.

“Ultimately, users visit your website for its content. Everything else is just the backdrop.” — Jakob Nielsen

“A home tem um resumo do site, isso não devia ser mais simples?”

A página principal de um website, na minha opinião, serve para isso mesmo, ser um resumo, um overview do site.

Todos nós fazemos scroll na primeira página de um website que visitamos pela primeira vez. E providenciando um overview do conteúdo geral do site na home, estamos a informar o user do que vai poder encontrar e pequenos shortcuts que o levem directamente ao seu objectivo, sem ter que passar muito tempo a navegação ou à procura do que quer.

Não se preocupem, o user faz scroll!!! Todos nós fazemos. Vocês estão a fazer se chegaram até aqui.

Conclusão

Não se esqueçam de se por no lugar de um utilizador. Sejam humildes no olhar e adoptem um pensamento holístico e orientado às necessidades do utilizador, vai ajudar-vos na vossa carreira como designers ou developers.

Não se esqueçam que não vale a pena dizer que “está na moda”, ou que “se o Facebook usa é porque é bom e então vamos usar”.

Pensem no utilizador final, façam entrevistas, entrem no meio! Observem! Não basta falar, o que dizemos muitas vezes não é o que sentimos.

It’s not uncommon for designers to confuse a beautiful looking product with one that works beautifully.— BRADEN KOWITZ